
Mario SabinoColunas

PL Antifacção: o STF tem o poder de mandar todo mundo catar coquinho
Pode chorar, PT: Motta foi até o STF e obteve o aval de Gilmar e Moraes à indicação de Guilherme Derrite para a relatoria do PL Antifacção
atualizado
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O PT tem uma concepção ampla de democracia: é o regime no qual nenhum outro partido é legítimo e, portanto, nenhuma outra visão, que não a petista, deve prevalecer. Em outras palavras, o PT apenas tolera a nossa democracia representativa, hoje tão bem representada pelo STF.
Veja-se a reação do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, à indicação de Guilherme Derrite para ser relator do PL Antifacção. Vocalizando a revolta do partido e do governo, o deputado a considerou um “desrespeito” de Hugo Motta a Lula.
O “desrespeito” é porque Guilherme Derrite faz parte do governo de Tarcísio de Freitas, como secretário da Segurança Pública de São Paulo. Francamente, é o caso de mandar Lindbergh Farias catar coquinho, ele e o governo Lula. Já mandaram, como se verá.
Não vou me cansar e cansar o leitor, discorrendo sobre a disputa entre PF e governadores bolsonaristas em torno de quem vai combater o crime organizado. A coisa já foi decidida. Pelo STF.
Foi decidida por Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, quero dizer. Hugo Motta foi consultá-los sobre o texto do projeto de lei, de acordo com os jornalistas Ana Pompeu e Cézar Feitoza. Os ministros disseram ao presidente da Câmara que era inconstitucional submeter a atuação da PF contra as facções, nos diversos estados, a autorização prévia dos respectivos governadores. Pronto, resolvido.
Aliás, a indicação de Guilherme Derrite para a relatoria do projeto de lei, contestada pelo PT, foi avalizada pelo STF, segundo os mesmos jornalistas. Hugo Motta perguntou antes a Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes se eles aprovavam o nome do gajo, e a resposta foi positiva — o que faz supor que a aliança tática com o governo Lula pode estar com os dias contados.
Temos um presidente da Câmara, portanto, que vai até o STF para pedir a dois ministros do tribunal que abençoem o nome de um relator para um projeto de lei, além do próprio texto do projeto de lei. Não há dúvida sobre quem tem, de fato, o poder de mandar todo mundo catar coquinho em nossa democracia representativa tão bem representada.