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Mario Sabino

Alexandre de Moraes ri de todos nós, os bobos da Corte

A imagem que sintetiza o grau de degradação moral do STF: Alexandre de Moraes gargalhando no cafezinho do tribunal

03/09/2026 11:30, atualizado 03/09/2026 18:01
LUIS NOVA / METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Alexandre de Moraes, rindo no plenário do STF

O fotógrafo Brenno Carvalho fez a imagem que sintetiza o grau de degradação moral do STF. Na saída da sessão de ontem, ele flagrou Alexandre de Moraes gargalhando em um grupo do qual faziam parte Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin.

Talvez a piada fosse mesmo engraçada, mas a questão é outra: como alguém pode fazer piada neste momento no STF?

A gargalhada de Alexandre de Moraes, de um histrionismo que mostra que o valentão tem certeza de que sairá impune, é sintomática de um Supremo que perdeu qualquer traço de compostura e de respeito pelos cidadãos.

A verdadeira piada somos nós, e não há dúvida de que viramos literalmente os bobos da Corte.

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Eles desmandam, e nós somos obrigados a obedecer por força da Constituição que os próprios ministros desrespeitam; eles se metem com patifes, e nós não podemos ir além dos resmungos ou somos processados; eles interferem no processo eleitoral, e não temos instrumentos para impedi-los de fazer isso.

O ovo da serpente foi chocado, repita-se, quando o país aceitou que o STF violasse a Constituição a pretexto de defendê-la, como se os limites constitucionais não fossem suficientes para impedir avanços autoritários, aliás indevidamente aumentados para parecer mais ameaçadores do que eram.

Substituiu-se a fantasia autoritária pela realidade autoritária.

Nasceram, assim, Alexandre de Moraes e os seus inquéritos ilegais e infinitos.

Nasceu o “defensor da democracia” que prende, intimida e amordaça, sem quaisquer limites para o exercício da sua truculência natural, porque protegido pelos pares que a ele se associaram na orgia despótica e por uma imprensa cúmplice na sua ingenuidade, pecado jornalístico só não maior do que a venalidade.

Nasceu o amigo de Daniel Vorcaro, fraudador do clube do charuto, do whisky Macallan e das prostitutas de luxo, que presenteou a família Moraes com um contrato de R$ 131 milhões, cartões de crédito com limites estratosféricos, “experiências vip” e proposta de sociedade em jato particular. Mas nada disso, claro, tem importância para o PGR amigão.

Nasceu o político que, sob a cobertura da toga, articula a sua blindagem com o presidente da República e com os presidentes do Senado e da Câmara para que o país continue sob o seu cabresto.

Somos os bobos da Corte, como não rir de tantos palhaços?

Alexandre de Moraes ri de todos nós, os bobos da Corte