Ainda há tempo de Flávio Bolsonaro se tornar menos detestável que Lula
Uma eleição presidencial cuja disputa principal é por menor rejeição entre quem torce o nariz tanto para Lula quanto para Flávio Bolsonaro

Estranha eleição presidencial, esta, cuja disputa principal é por menor rejeição na fatia do eleitorado que torce o nariz tanto para Lula quanto para Flávio Bolsonaro.
No mais, o país se divide na comédia de erros que é prólogo constante da nossa interminável tragédia nacional.
Do lado de Lula, perfilam-se os eleitores que apostam pela sexta vez em uma experiência que deu errado cinco vezes; do lado de Flávio Bolsonaro, ombreiam-se os eleitores que querem repetir pela segunda vez a experiência que deu errado de primeira.
Obviamente, a convicção, aqui, é a de que o o erro está apenas no lado oposto.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesPara aumentar a estranheza, há agentes externos atuando em favor de um lado e de outro, como nunca se viu.
Aliada ao petista, está aquela gente do STF que extravasa os limites constitucionais também para interferir no resultado eleitoral.
Em 2022, ela calou a boca da oposição para evitar que verdades sobre Lula e o PT fossem ditas durante a campanha; em 2026, já amordaçou Jair Bolsonaro, intimidou o Centrão para evitar que se aliasse a Flávio Bolsonaro, interferiu em algoritmo de rede social para censurá-la e, usurpando as atribuições do TSE cuja presidência lhe escapou, chegou a ameaçar de cassação o oponente do petista.
Aliado a Flávio Bolsonaro, tem-se o governo americano agindo por meio de medidas coercitivas que, coerentes com a nova velha doutrina imperialista do atual inquilino da Casa Branca, têm o pretexto de se contrapor a ações perpetradas a partir do Supremo.
Para parcela já resolvida a torcer menos o nariz para Flávio Bolsonaro, o STF autoritário foi longe demais; para resignados a tapar as narinas para Lula, o governo americano mexeu com o brio nacionalista.
Na disputa pela menor rejeição, Lula vence Flávio Bolsonaro, mas por pouco, segundo as pesquisas. Ainda há tempo de o filho de Jair se tornar menos detestável do que o chefão petista.
De um jeito ou de outro, vai se votar contra o país, que sempre foi o que menos importou, do início ao final das contas, tal é a constante da nossa patética democracia.




