Mario Sabino

A paz de Trump implica que palestinos sejam sócios de árabes e judeus

Para a paz de Donald Trump dar certo, os palestinos têm de ser vistos e se verem como sócios na exploração econômica dos seus territórios

atualizado

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Evelyn Hockstein – Pool/Getty Images
Donal Trump discursando no parlamento de Israel -- Metrópoles
1 de 1 Donal Trump discursando no parlamento de Israel -- Metrópoles - Foto: Evelyn Hockstein – Pool/Getty Images

No seu discurso ao parlamento israelense, hoje, como artífice do acordo entre Israel e Hamas, Donald Trump deixou claro que uma nova era de prosperidade se abriria no Oriente Médio se os países muçulmanos da região deixassem de lado as suas diferenças com Israel e os recalcitrantes aderissem aos Acordos de Abraão.

Tais acordos foram firmados entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, em setembro de 2020, sob mediação dos Estados Unidos, e outros países estavam para aderir, principalmente a Arábia Saudita, quando o Hamas perpetrou o massacre de 7 de outubro de 2023.

A progressão dos acordos, interrompida há dois anos, é a chave para que a Pax Americana, almejada por Donald Trump, seja alcançada no Oriente Médio.

A Pax Americana é, em resumo, a da força do dinheiro. O raciocínio é o mesmo que baseia a profissão mais antiga do mundo (a do comércio, bem entendido): se todos os países se derem conta de que a amizade com Israel é mais lucrativa do que a sua inimizade, e vice-versa, não haverá ressentimento histórico capaz de impedi-la.

Do ponto de vista econômico, as sucessivas guerras no Oriente Médio sempre foram uma tremenda estupidez. As cifras das perdas variam conforme a instituição, mas todas elas são astronômicas.

A depender da metodologia aplicada, as estimativas apontam que os países da região desperdiçaram, em custos diretos e indiretos, entre US$ 3 e US$ 10 trilhões com os conflitos que se sucederam desde 1948, ano da primeira guerra dos países árabes contra Israel.

Um relatório do Fundo Monetário Internacional, divulgado em 2017, sugeriu que, sem guerras, o PIB per capita do Oriente Médio e do Norte da África poderia ter dobrado nos últimos 50 anos.

A era da prosperidade vendida pelo presidente americano — na qual ele e a sua família têm bilhões de dólares a ganhar, visto que os valores humanos dos Trump não saem de graça — inclui forçosamente os palestinos.

Eles não podem mais ser vistos como estorvo por israelenses e árabes, nem se ver como vítimas dispostas a se sacrificar no altar de fanatismos que lhes são alienígenas.

Para a paz de Donald Trump dar certo, os palestinos têm de ser vistos e se verem como sócios majoritários na exploração do potencial dos seus territórios. É na formação de uma sociedade econômica com os seus vizinhos que está a chave para a criação, lá na frente, de um estado próprio, bem aceito por parceiros, não apenas tolerado por inimigos.

Nesse futuro promissor que está logo ali, basta querer, o que é a parte mais difícil, não há lugar para Hamas, Hezbollah, aiatolás iranianos. Eles são péssimos para os negócios.

Não há lugar também os radicais israelenses e para Benjamin Netanyahu, para quem, nota bem dissonante no seu discurso ao parlamento israelense, Donald Trump pediu que fosse concedida uma anistia pelos crimes de corrupção, porque receber charutos e champanhe para beneficiar amigos não seria algo tão grave assim. Como se tratasse apenas disso.

Ao fim e ao cabo, o dinheiro tem de falar mais alto também para os palestinos, porque a religião do lucro é menos danosa do que todas as outras. Não se trata de ser cínico, mas realista.

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