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Mario Sabino

A mão peluda de ministros do STF no debate da Rede Globo

O cancelamento do debate da Rede Globo foi o momento mais baixo de uma campanha marcada pela interferência ilegítima de ministros do STF

02/10/2026 10:49, atualizado 02/10/2026 11:44
Reprodução/TV Globo
Debate TV Globo

O cancelamento do debate de ontem pela Rede Globo foi o momento mais baixo da campanha de primeiro turno mais suja da história da Nova República, marcada pela interferência ilegítima de ministros do STF sem qualquer pudor para pesar a sua mão peluda sobre o processo eleitoral.

Tudo aponta para um segundo turno ainda mais escandaloso, uma vez que deixaram de existir já faz tempo vasos comunicantes entre esses ministros e uma sociedade em choque com juízes que se comportam como se fossem donos do país.

Gilmar Mendes trata o Brasil como se fosse latifúndio seu; Flávio Dino, como se fosse sua capitania hereditária; Alexandre de Moraes, como se fosse campo de trabalho forçado do qual é diretor.

Eles têm serviçais em outros tribunais superiores, na PF, na PGR, na política e na imprensa.

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No caso do debate da Globo, lançaram mão de uma ação combinada com o deputado Paulinho da Força para tentar impor a presença de Renan Santos e, assim, acuar Flávio Bolsonaro.

Em paralelo, uma ex-funcionária de Flávio Dino e partidária de Lula, que faz as vezes de ministra do TSE, ordenou que a emissora retirasse o púlpito vazio destinado ao chefão petista, ausente de vontade própria, para não desgastar a imagem do candidato fujão junto aos eleitores.

Diante desse atentado às regras combinadas com os representantes dos candidatos e à liberdade de imprensa, a Rede Globo seguiu o único caminho preconizado pela dignidade e cancelou o debate. O jornal do grupo, O Globo, publicou um editorial esclarecedor sobre a decisão.

Na sua arrogância ilimitada, esses ministros fazem o que querem, do jeito que querem, contra quem se lhes opõe, em desrespeito à Constituição e em desprezo às regras mais elementares da convivência democrática. Como não poderia deixar de ser, fazem escola na ala inimiga, e Nunes Marques promete ser bom aluno.

As intenções deles nunca ficaram tão evidentes, estão mais visíveis a olho que nu que Lua cheia em céu estrelado:

Querem Lula reeleito porque o chefão petista é devedor da sua própria liberdade e indicará novos ministros para perpetuar o poder do grupo dentro e fora do tribunal.

Querem manter as rédeas do comando do Congresso para impedir a abertura de processos de impeachment contra eles próprios.

Querem ter a PF e a PGR domados para controlar investigações criminais que levem Alexandre de Moraes, principalmente, a ter de responder pela sua relação promíscua com Daniel Vorcaro.

Estão fazendo o diabo para atingir os seus objetivos e, a esta altura, não é desvario pensar que, se Flávio Bolsonaro for eleito, buscarão judicializar e anular a vitória do candidato da direita, alegando interferência americana.

A cama para a judicialização está sendo armada. O nome disso é golpe. A grande ameaça à democracia brasileira são os ministros do STF que gritam defendê-la.