Se eleito, Flávio vai honrar o compromisso com o impeachment de Moraes?
A coisa não é tão certa, porque a prioridade é tirar Jair da prisão, e Flávio certamente não vai querer ver a anistia contestada no STF

Se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, ele e a sua base irão honrar o compromisso com os seus eleitores de apoiar a abertura do processo de impeachment de Alexandre de Moraes?
Evidentemente, a direita terá de ter maioria simples (41 de 81 votos) no Senado para abrir o processo e maioria de dois terços (54 de 81) para efetivamente condenar o ministro.
Isso, se não passar a valer a liminar de Gilmar Mendes, que elevou o quórum de abertura também para 54 votos e restringiu ao PGR o poder de denunciar um ministro do STF.
O Senado interpretou a liminar como intervenção indevida, que é o que efetivamente ela é, uma vez que Gilmar Mendes não pode reescrever a Constituição ao seu bel-prazer, e o pessoal da caserna também parece que torceu o nariz para a iniciativa desinteressada do decano do Supremo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMas, independentemente das condições legais que serão colocadas, eu ia falando do compromisso de Flávio. Vai honrar?
A coisa não é tão certa, porque a prioridade do filho de Jair é tirar Jair da prisão o quanto antes, tanto que se fala em batalha pela anistia antes até do início da próxima legislatura, e Flávio certamente não vai querer ver a concessão da graça ao ex-presidente contestada no STF, contestação que dará início a hostilidades desde o início do mandato presidencial. Poderá ocorrer, portanto, um toma-lá-dá-cá, e se esqueça o compromisso com os eleitores.
Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio, esteve com Gilmar Mendes no início do mês. “Fui dizer que temos expectativa de ganhar as eleições e temos a perspectiva de manter diálogo com as instituições. Queremos manter as portas abertas, o canal livre, afinal o STF é um do Três Poderes da República, e queremos seguir com o diálogo institucional”, disse ele. Em entrevista à revista Oeste, Marinho reafirmou: “Não queremos vingança; queremos que a Constituição seja respeitada”.
O tom contra Alexandre de Moraes, no entanto, continua exaltado, Rogério Marinho o classifica de “Torquemada moderno” indissociavelmente ligado a Lula, mas talvez a fúria se acalme em caso de vitória nas urnas, o que colocará Flávio e o seu entourage diante das necessidades da política real.
Em lugar do impeachment de Alexandre de Moraes, o bolsonarismo poderá vender ao indistinto público a já ventilada reforma do Judiciário, com a diminuição das atribuições do Supremo, entre as quais a competência para julgar processos criminais. Para não falar da indicação dos novos ministros, o que daria uma configuração mais conservadora ao plenário do STF, diminuindo o poder da ala lulista do tribunal.
Os eleitores bolsonaristas vão aceitar uma eventual barganha? Tendo a crer que, com Jair solto, a maioria vai relevar tudo.




