Mario Sabino

A direita só perde para Lula se apostar em vendedor de carro desonesto

É este o número que mais interessa neste momento, o da rejeição a Lula. Escolha-se um adversário que não seja vendedor de carros desonesto

atualizado

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Lula e Flávio Bolsonaro, em montagem -- Metrópoles
1 de 1 Lula e Flávio Bolsonaro, em montagem -- Metrópoles - Foto: Reprodução

Bolsonaristas tratam de desacreditar a pesquisa AtlasIntel, a primeira a mostrar o estrago feito pelo caso Dark Horse na candidatura de Flávio Bolsonaro contra Lula.

Ele perdeu cinco pontos percentuais no primeiro turno e seis pontos no segundo, em relação ao levantamento anterior, e acabaria derrotado pelo petista por 49% a 42%, em números arredondados, de acordo com a AtlasIntel.

Apesar da dedicação bolsonarista em torpedear a pesquisa, o provável é que os outros levantamentos mostrem igualmente que o rombo no casco do navio bolsonarista foi grande.

Vai dar para Flávio recuperar o terreno perdido? Ninguém sabe, também porque é possível que haja mais revelações sobre as ligações perigosas entre a família Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Um “videozinho”, por exemplo, como admite o próprio Flávio, embora ele jure que não haverá “surpresinha”.

Em 1960, a campanha de John Kennedy usou uma pergunta singela contra o oponente Richard Nixon: “você compraria um carro usado desse homem?”

Kennedy venceu, oito anos depois o eleitor americano acreditou que poderia comprar um carro usado de Nixon, e deu no que deu.

Ao fim e ao cabo, esta é a pergunta que teria de ser feita por todo cidadão, em qualquer latitude, antes de escolher um candidato: ele é um vendedor desonesto ou não?

Flávio mostrou ser um vendedor desonesto quando negou que tivesse pedido dinheiro para Vorcaro, e a consequência inevitável da nota desafinada é que ficou mais difícil convencer eleitores e também aliados, que amarraram o seu burro na candidatura do filho de Bolsonaro, de que se tratou de pedido normal feito a um empresário para financiamento de um filme.

O pior cenário seria se, em meio à campanha presidencial, os Bolsonaro surgissem citados em uma delação no âmbito do caso Master.

Naturalmente, ao perder intenções de voto, Flávio viu a sua rejeição aumentar. A AtlasIntel aponta que 52% dos entrevistados não votariam nele de jeito nenhum. Ele praticamente empatou com Lula, que permanece repudiado por 51% do eleitorado.

É este o número que mais interessa neste momento, o da rejeição a Lula. Com um adversário para quem mais de 50% dos eleitores torcem o nariz, a direita só perderá a disputa pela presidência se continuar a acreditar na lorota de que Jair e os filhos são seus donos, e não se unir em torno de um candidato do qual os cidadãos cansados do PT comprariam um carro usado.

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