Manoela Alcântara

STF tem empate parcial e suspende julgamento sobre eleição no RJ

Julgamento discute regras para escolha de governador após vacância no cargo

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Antonio Augusto/STF
sessao-plenaria-do-stf-supremo-tribunal-federal-metropoles-3
1 de 1 sessao-plenaria-do-stf-supremo-tribunal-federal-metropoles-3 - Foto: Antonio Augusto/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou placar parcial de 1 a 1 no julgamento sobre a forma de eleição para o governo do Rio de Janeiro. O ministro Cristiano Zanin votou pela realização de eleições diretas no estado, enquanto o ministro Luiz Fux divergiu e defendeu a adoção de eleição indireta. O julgamento será retomado nesta quinta-feira (9/4).

Em seu voto na tarde desta quarta-feira (8/4), no âmbito da Rcl 92.644, Zanin afirmou que a vacância do cargo decorre de causa eleitoral, diante da cassação do diploma e da renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL).

Com isso, o ministro defendeu que a reposição do cargo deve ocorrer por meio de eleições diretas, afastando a possibilidade de escolha indireta pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj).

Ao abrir divergência, Fux votou contra a realização de eleições diretas imediatas e defendeu a adoção de eleição indireta. Para ele, não cabe ao STF, por meio de reclamação, modificar o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o tema.

Fux também apontou dificuldades práticas para a realização de um novo pleito, como o alto custo e a proximidade do fim do mandato, o que poderia levar à convocação de duas eleições em curto intervalo de tempo.

Nesse cenário, segundo o ministro, a solução institucional prevista — com a condução interina do Executivo e eventual escolha no âmbito da Alerj — seria mais adequada.

ADI

Antes, em outro processo analisado pelos ministros — a ADI 7.942, que trata da suspensão de trechos da lei sobre eleição indireta para governador e vice no estado —, Fux, que é o relator, votou por manter a liminar concedida por ele em 18 de março.

Fux defendeu a continuidade da decisão, mas com ajustes. O principal deles foi a previsão de desincompatibilização em até 24 horas antes do pleito, flexibilizando o prazo para que eventuais candidatos deixem seus cargos.

Ele também manteve a previsão de que a votação para escolha dos cargos seja realizada de forma secreta.

O ministro Cristiano Zanin acompanhou o relator, mas divergiu quanto ao voto secreto, sem entrar no mérito, nesse ponto, sobre a adoção de eleição indireta ou direta. Para ele, a votação deve ser aberta, a fim de garantir maior transparência.

PGR

Na sustentação oral, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu eleições diretas no estado e afirmou que houve fraude à lei na renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL), apontando desvio de finalidade na tentativa de evitar a cassação e alterar o desfecho eleitoral.

“A renúncia, portanto, para fugir da iminente cassação, por seu vício intrínseco de fraudar a aplicação da lei, não desfigura a causa eleitoral da vacância […] A renúncia para fugir do processo que pode gerar perda de mandato é incompatível com a boa-fé com que os direitos devem ser exercidos”, disse Gonet.

Antes da fala do procurador-geral, o advogado Thiago Fernandes Boverio, que representa o PSD, afirmou em sustentação oral que o ex-governador deixou o cargo às vésperas do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para evitar a cassação.

O defensor defendeu a realização de eleições diretas e afirmou que, no cenário atual, o estado “virou Gotham City”. Segundo ele, caso seja adotado o modelo de eleição indireta — ao qual o partido se opõe —, “é mais fácil eleger o Coringa do que o Batman”.

“Acredito que o Rio de Janeiro virou Gotham City. E, se for realizada eleição em Gotham City, indireta, é mais fácil eleger o Coringa do que o Batman. A situação está complicada”, disse. “Todo poder emana do povo. A soberania pertence ao povo. Todo respeito àqueles que pensam diferente, mas, usando outra metáfora, ‘a bola tem que ser colocada no chão’. Quem deve decidir o futuro do Rio de Janeiro é a população, os eleitores fluminenses”, afirmou.

Rio

Zanin, em decisão de 28 de março, suspendeu as eleições indiretas no Rio e também pediu destaque no julgamento da ADI no plenário virtual, onde os ministros analisavam as regras da eleição.

Antes do destaque — que zerou o julgamento — havia maioria para restabelecer o prazo de 24 horas para desincompatibilização de candidatos, manter a suspensão do voto aberto e das eleições indiretas.

O caso ganhou novo elemento após o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, defender a realização de eleições diretas.

De acordo com o integrante do Ministério Público, a vacância do cargo de governador do Rio tem natureza eleitoral, em razão da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou diplomas e declarou a inelegibilidade de integrantes da chapa vencedora nas eleições de 2022, incluindo o ex-governador Cláudio Castro (PL).

O entendimento do procurador é de que, nesse cenário, aplica-se o Código Eleitoral, que prevê a realização de novas eleições com participação direta dos eleitores — e não de forma indireta.

“O prejuízo na efetiva execução da cassação do diploma dos investigados, de seu turno, apenas reverbera a percepção de que nada há a prover, no mundo dos fatos, quanto à desconstituição do mandato, à medida que ambos (Cláudio e Thiago Pampolha) não ocupavam mais mandato por ocasião da conclusão do julgamento”, escreveu Barbosa.

Por decisão de Zanin, quem permanece na função de governador do Rio de Janeiro até a conclusão do julgamento no STF é o desembargador Ricardo Couto de Castro.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?