Manoela Alcântara

No STF, Gonet defende eleições diretas no Rio de Janeiro. Siga no YouTube

Julgamento discute regras para escolha de governador após vacância no cargo

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Paulo Gonet
1 de 1 Paulo Gonet - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, na tarde desta quarta-feira (8/4), duas ações que tratam da eleição para o governo do Rio de Janeiro.

Os ministros analisam, na mesma sessão, a ADI 7.942, relatada pelo ministro Luiz Fux, que discute a validade de regras da lei fluminense sobre votação na Alerj e prazo de desincompatibilização na sucessão do governo do Rio, e a Rcl 92.644, sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, que trata do cumprimento de decisão da Corte sobre a realização de eleição indireta no estado.

Ao sustentar, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu eleições diretas no estado e afirmou que houve fraude à lei na renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL), apontando desvio de finalidade na tentativa de evitar a cassação e alterar o desfecho eleitoral.

“A renúncia, portanto, para fugir da iminente cassação, por seu vício intrínseco de fraudar a aplicação da lei, não desfigura a causa eleitoral da vacância […] A renúncia para fugir do processo que pode gerar perda de mandato é incompatível com a boa-fé com que os direitos devem ser exercidos”, disse Gonet.

Antes da fala do procurador-geral, o advogado Thiago Fernandes Boverio, que representa o PSD, afirmou em sustentação oral que o ex-governador deixou o cargo às vésperas do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para evitar a cassação.

O defensor defendeu a realização de eleições diretas e afirmou que, no cenário atual, o estado “virou Gotham City”. Segundo ele, caso seja adotado o modelo de eleição indireta — ao qual o partido se opõe —, “é mais fácil eleger o Coringa do que o Batman”.

“Acredito que o Rio de Janeiro virou Gotham City. E, se for realizada eleição em Gotham City, indireta, é mais fácil eleger o Coringa do que o Batman. A situação está complicada”, disse. “Todo poder emana do povo. A soberania pertence ao povo. Todo respeito àqueles que pensam diferente, mas, usando outra metáfora, ‘a bola tem que ser colocada no chão’. Quem deve decidir o futuro do Rio de Janeiro é a população, os eleitores fluminenses”, afirmou.

Rio

Zanin, em decisão de 28 de março, suspendeu as eleições indiretas no Rio e também pediu destaque no julgamento da ADI no plenário virtual, onde os ministros analisavam as regras da eleição.

Antes do destaque — que zerou o julgamento — havia maioria para restabelecer o prazo de 24 horas para desincompatibilização de candidatos, manter a suspensão do voto aberto e das eleições indiretas.

O caso ganhou novo elemento após o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, defender a realização de eleições diretas.

De acordo com o integrante do Ministério Público, a vacância do cargo de governador do Rio tem natureza eleitoral, em razão da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou diplomas e declarou a inelegibilidade de integrantes da chapa vencedora nas eleições de 2022, incluindo o ex-governador Cláudio Castro (PL).

O entendimento do procurador é de que, nesse cenário, aplica-se o Código Eleitoral, que prevê a realização de novas eleições com participação direta dos eleitores — e não de forma indireta.

“O prejuízo na efetiva execução da cassação do diploma dos investigados, de seu turno, apenas reverbera a percepção de que nada há a prover, no mundo dos fatos, quanto à desconstituição do mandato, à medida que ambos (Cláudio e Thiago Pampolha) não ocupavam mais mandato por ocasião da conclusão do julgamento”, escreveu Barbosa.

Por decisão de Zanin, quem permanece na função de governador do Rio de Janeiro até a conclusão do julgamento no STF é o desembargador Ricardo Couto de Castro.

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