
Manoela AlcântaraColunas

Ratinho vira alvo do MP Eleitoral por falas sobre Erika Hilton
Declarações foram feitas em programa exibido em rede nacional. Representação cita que falas questionaram identidade de gênero da deputada
atualizado
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O Ministério Público Eleitoral encaminhou, nesta sexta-feira (13/3), uma representação para apurar se o apresentador Ratinho cometeu violência política de gênero contra a deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) após comentários feitos contra a parlamentar no programa dele no SBT.
O apresentador, durante seu programa na emissora na quarta-feria (11/3), questionou o fato de a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados ser presidida por Erika.
“Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans”, disse.
Ratinho prosseguiu: “Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”.
O documento, assinado pela procuradora regional da República Raquel Branquinho, encaminhou a representação para que o Ministério Público Eleitoral de São Paulo analise a conduta de Ratinho.
Raquel pontua que as declarações foram transmitidas em rede nacional e que os comentários do apresentador questionaram a legitimidade da eleição de Erika, além de negar a identidade de gênero da parlamentar.
“Importante ressaltar, ainda, que o representado, o apresentador Ratinho, também já foi denunciado pela prática do mesmo crime de violência política de gênero, tendo como vítima a deputada federal Natália Bonavides, caso que tramita perante o foro eleitoral de São Paulo”, cita o documento, mencionando outro episódio no qual ele é investigado.
R$ 10 milhões
Além dessa apuração, Ratinho é alvo de outro pedido, agora do Ministério Público Federal (MPF), para que ele e o SBT sejam condenados a pagar multa de R$ 10 milhões a título de indenização por danos morais pelas falas ditas no programa.
O documento, assinado pelo procurador regional dos Direitos do Cidadão no Rio Grande do Sul, Enrico Rodrigues de Freitas, teve origem após a própria parlamentar pedir que o apresentador fosse investigado.
O pedido apresentado à Justiça solicita que, além do pagamento de R$ 10 milhões, a emissora retire a íntegra do programa de sites e redes sociais, “como forma de limitar o dano perpetrado pelas falas discriminatórias e preconceituosas”.
