
Manoela AlcântaraColunas

PGR pede retorno ao STF de inquérito que envolve Rui Costa
Investigação apura a compra frustrada de respiradores pelo Consórcio Nordeste. PGR quer que o caso volte ao STF
atualizado
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A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que a investigação sobre a compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste envolvendo o ex-governador da Bahia Rui Costa (PT) seja enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PGR, há indícios de que atos de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionados ao caso tenham se estendido ao período em que Rui ocupava o cargo de ministro da Casa Civil.
O parecer, sob sigilo, foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde o caso tramita atualmente. Para a Procuradoria, a apuração deve retornar ao STF em razão do possível envolvimento de autoridade com foro.
O inquérito apura a compra frustrada de 300 respiradores pulmonares durante a pandemia de Covid-19. Os equipamentos foram pagos antecipadamente, mas nunca chegaram a ser entregues.
Em documentação, o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, afirma que o petista é investigado no chamado “núcleo político da contratação”, uma vez que presidia o consórcio à época da assinatura do contrato.
O parecer também menciona duas colaborações premiadas que relatam a suposta atuação de integrantes desse núcleo político no esquema investigado.
Para a PGR, o principal fundamento para o retorno do caso ao STF é a hipótese de que a ocultação dos recursos tenha começado no contexto da contratação dos respiradores e permanecido durante o período em que Rui ocupou o cargo de ministro da Casa Civil.
Competência
O caso foi remetido do STF para o STJ após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, entender que as supostas irregularidades na compra dos respiradores ocorreram durante o período em que Rui Costa exercia o cargo de governador da Bahia.
O foco da investigação é o contrato de R$ 48,7 milhões firmado entre o Consórcio Nordeste e a Hempcare Pharma Representações Ltda para o fornecimento de ventiladores pulmonares durante a pandemia.
Segundo as apurações, a Hempcare Pharma era uma pequena empresa paulista, com quadro reduzido de funcionários, baixo capital social e pouca experiência na comercialização de materiais médicos e hospitalares.