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Manoela Alcântara

PF vê padrão de ocultação com uso de corretoras ligadas a Vorcaro

Polícia vê uso recorrente de corretoras na família de Vorcaro para ocultação de recursos, especialmente quanto ao valor de R$ 2 bilhões

atualizado

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Foto colorida de rosto de homem pardo, com barba. Ele usa um blazer preto - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de rosto de homem pardo, com barba. Ele usa um blazer preto - Metrópoles - Foto: Reprodução

O núcleo familiar do banqueiro Daniel Vorcaro já apareceu em outras apurações sobre movimentações financeiras suspeitas, conforme indica a Polícia Federal (PF). Perícias analisadas pelos investigadores indicam que operações envolvendo parentes do banqueiro remontam a 2017, como mostrou a coluna no mês passado.

Ao revisitar esses relatórios técnicos, a PF apontou possível modus operandi: o uso de corretoras para circulação e ocultação de recursos. Vorcaro está preso preventivamente após ser alvo da operação dessa quarta-feira (4/3).

Conforme citado na decisão do ministro André Mendonça, a PF conseguiu o bloqueio de R$ 2,2 bilhões na conta de Henrique Moura Vorcaro, mantida na corretora Reag, liquidada por decisão do Banco Central (BC).

Para investigadores consultados pela coluna, o uso de estruturas financeiras interligadas e de pessoas do entorno familiar para movimentação de recursos é uma dinâmica persistente.

Em valores mais tímidos, peritos da PF já tinham analisado movimentações envolvendo fundos administrados pela então corretora Foco DTVM — hoje chamada Sefer Investimentos e representante legal da Titan Capital, holding no exterior vinculada a Vorcaro.

Conforme relatório revelado pela coluna, produzido no âmbito da Operação Fundo Fake, recursos provenientes de fundos de investimento imobiliário circularam por uma cadeia de empresas interligadas antes de chegar a companhias ligadas ao núcleo familiar de Vorcaro.

A análise aponta que empresas administradas por Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro, receberam cerca de R$ 79 milhões entre junho de 2016 e agosto de 2017.

Em outra frente da perícia, os investigadores identificaram que a própria corretora realizou transferências diretas de cerca de R$ 2 milhões para a conta de Vorcaro entre maio e junho de 2017. À época, o empresário ainda não era amplamente conhecido no mercado financeiro, e o Banco Master ainda operava sob o nome Máximo.

Essas informações chegaram ao conhecimento da polícia após quebras de sigilo bancário e análise das movimentações financeiras ligadas aos fundos investigados. Para a PF, os elementos analisados sugerem padrão apurado em diferentes momentos.

A Polícia Federal agora investiga se os R$ 2,2 bilhões bloqueados na conta do pai de Vorcaro podem ter relação com essa dinâmica apurada em casos anteriores, já que existe um modelo parecido nesses dois e em outros casos tocados pela PF em situações anteriores.

Operação

Vorcaro está preso preventivamente por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A nova detenção do banqueiro ocorreu após a PF informar ter encontrado, no celular dele, mensagens que indicariam a atuação de uma espécie de “milícia privada”.

De acordo com mensagens analisadas pelos investigadores, o empresário ordenava a integrantes de seu núcleo que monitorassem jornalistas e adversários. Em uma das conversas, ele chega a sugerir agressão contra um crítico.

Segundo a PF, Vorcaro utilizava colaboradores para levantar dados pessoais, acompanhar adversários e intimidar pessoas que contrariavam seus interesses. As informações constam em material extraído em operações anteriores.

Em uma das mensagens, Vorcaro conversa com Luiz Phillipi Machado de Moraes, apontado pela PF como responsável por levantar essas informações.

“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu Vorcaro, em referência ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Além de Luiz Phillipi, a PF prendeu Marilson Roseno da Silva e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

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