Manoela Alcântara

MPF avalia venda de 10 mil cabeças de gado ligadas a devastador da Amazônia

Venda de veículos não cobre prejuízo estimado, e MPF mira rebanho para ressarcimento

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução/Arte Metrópoles
Bruno Heller devastador da Amazônia
1 de 1 Bruno Heller devastador da Amazônia - Foto: Reprodução/Arte Metrópoles

Os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) avaliam pedir a venda de rebanho com mais de 10 mil cabeças de gado de um grupo ligado ao empresário Bruno Heller, apontado pela Polícia Federal (PF) como o maior devastador da Amazônia.

O objetivo, segundo apurou a coluna, é tentar alcançar o valor de R$ 116,5 milhões, montante estimado na investigação da PF como prejuízo ambiental e financeiro causado pelo esquema.

Segundo as investigações, o grupo ligado ao empresário teria desmatado áreas da União, em torno de 22 mil hectares, para transformá-las em pasto destinado à criação de gado.

A PF localizou ao menos oito fazendas em nome de Bruno e da filha, Tatiana Heller, além de outras duas registradas em nome de outro investigado. A grande maioria fica concentrada no município de Novo Progresso, no sudoeste do Pará — considerado um dos municípios líderes de desmatamento no país.

Com base em dados financeiros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), de maio de 2023, a PF identificou a declaração de 9.154 cabeças de gado vinculadas a Tatiana em duas fazendas, além de pouco mais de 1,4 mil cabeças em nome de outro investigado, distribuídas em outras duas propriedades.

Entretanto, levantamento da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), em dezembro do ano passado, apontou a existência de apenas 1,4 mil cabeças de gado nas mesmas propriedades.

Diante disso, o juiz André Luis Cavalcanti Silva determinou que as defesas dos investigados indiquem a localização dos animais e abriu caminho para que o MPF peça a venda do rebanho como forma de ressarcir os prejuízos.

Conforme apurou a coluna, apenas com a venda dos veículos, segundo avaliação do MPF, não é possível alcançar o valor de R$ 116 milhões.

A coluna não conseguiu localizar a defesa de nenhum dos citados.

Leilão de veículos

A coluna mostrou que o MPF quer leiloar veículos de investigados da organização para ressarcir os cofres públicos.

Os veículos não estão sob custódia da PF e permanecem apenas com restrições administrativas, o que aumenta o risco de deterioração, desvalorização ou até transferência irregular a terceiros.

Em documento obtido pela coluna, o MPF aponta indícios de que alguns veículos já teriam sido negociados informalmente, sem registro nos órgãos de trânsito, o que reforça a necessidade de leilão antecipado para preservar o valor dos bens.

Ao todo, o pedido inclui cinco veículos registrados em nome do empresário Júlio Cezar Dal Magro: um Jeep Renegade (2020/2021), uma Fiat Toro Freedom (2019), um Hyundai i30 (2011/2012), uma motocicleta Honda NXR 125 Bros (2005) e um Dodge E21 (1983), todos bloqueados durante a investigação.

O MPF também apresentou pedidos semelhantes envolvendo veículos de outros investigados, como Bruno e Tatiana Heller, incluindo caminhonetes Toyota Hilux e uma motocicleta Honda Bros 150 ligadas ao casal. Há ainda o registro de um Fiat 147 em nome de Bianor Emílio Dal Magro.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?