Mendonça decide que Campos Neto não é obrigado a depor em CPI
Decisão permite que ex-presidente do Banco Central decida se vai à CPI do Crime Organizado e assegura presença de advogado

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu parcialmente o pedido do ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, e transformou em convite a convocação aprovada pela CPI do Crime Organizado.
Mendonça determinou que o ex-presidente do BC pode decidir se comparece ou não à sessão e, caso opte por ir, poderá exercer o direito ao silêncio. O depoimento está marcado para terça-feira (3/3), às 9h.
O ministro salientou que a convocação de Campos Neto extrapola o objeto original da comissão, criada para investigar organizações criminosas, como facções e milícias, e que não há demonstração de vínculo direto entre o ex-presidente do BC e a operação da Polícia Federal (PF) Compliance Zero — que apura irregularidades na venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
“Nesse contexto, o controle jurisdicional exercido por esta Suprema Corte, mesmo diante dos poderes investigatórios conferidos às Comissões Parlamentares de Inquérito, não vulnera o princípio da separação de poderes, mas, ao revés, consubstancia exigência inerente à ordem político-jurídica essencial ao regime democrático”, escreveu Mendonça em decisão desta segunda-feira (2/3).
Convocação
Conforme mostrou o Metrópoles, a ida de Campos Neto está marcada para 3 de março, às 9h. A convocação ocorre para que ele esclareça eventuais falhas do Banco Central (BC) na fiscalização bancária.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraO pedido foi apresentado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA). O requerimento, aprovado pelos demais parlamentares, afirma que a oitiva tem como objetivo coletar informações técnicas e estratégicas. Campos Neto presidiu o BC entre 2019 e 2024.
Além da convocação do ex-presidente do Banco Central, a CPI pretende ouvir o fundador da Reag, João Carlos Mansur, alvo da Polícia Federal (PF) na operação deflagrada em janeiro no âmbito do inquérito do Caso Master.












