Campos Neto, Vorcaro, irmãos de Toffoli: a lista dos convocados em CPI
Colegiado ainda convocou ex-presidente do BRB e dono da Reag, como também aprovou quebras de sigilo da Mardit, empresa ligada a Toffoli
atualizado
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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado aprovou, nesta quarta-feira (25/02), uma série convocações de pessoas ligadas ao caso do Banco Master. Entre elas, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que deverão prestar esclarecimentos sobre cassinos no Resort Tayayá.
Como mostrado pelo Metrópoles, o complexo localizado no Paraná anteriormente administrado pelos familiares do magistrado, tem máquinas eletrônicas de apostas e mesas de jogos de carteado, inclusive blackjack, modalidade proibida no Brasil. O Tayayá está no centro da crise que levou Toffoli a abrir mão da relatoria.
Apresentados por Magno Malta (PL-ES), os requerimentos dizem que “a exploração de jogos de azar ilegais constitui atividade frequentemente associada à lavagem de dinheiro”. A CPI do Crime também aprovou o convite a Dias Toffoli e quebra de sigilo da Mardit, empresa que tem o magistrado como sócio.
A CPI ainda aprovou ainda a convocação do advogado Paulo Humberto Barbosa, advogado que comprou todas as cotas do Tayayá dos irmãos de Toffoli. A compra do resort foi feita por meio de um fundo de investimento administrado pela Reag, financeira investigada no escândalo e liquidada pelo Banco Central.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seu sócio, Augusto Lima, e seu cunhado, Fabiano Zettel, também foram convocados. Outros integrantes da administração do banco liquidado pelo BC em 2025 também deverão comparecer ao colegiado de maneira obrigatória. O empresário João Carlos Mansur, da Reag Investimentos, também deve prestar esclarecimentos.
Outras convocações incluem o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa e ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro (PL), como o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, e da Cidadania, João Roma, por ligação com Augusto Lima. O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também terá de comparecer.
A convocação é de caráter obrigatório, sob risco de ter a condução coercitiva em caso de ausência. Já convites são opcionais.
Convites para Moraes, Rui Costa e Guido Mantega
Além de Toffoli, a CPI do Crime Organizado aprovou o convite ao ministro Alexandre de Moraes e à esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes. Integrantes da oposição tentaram aprovar quebras de sigilo do escritório chefiado por Viviane, que prestou serviços ao Master em contratos milionários, mas foram tirados de pauta por “falta de nexo causal”.
Também foram convidados Rui Costa, ministro da Casa Civil, e Guido Mantega, o ex-ministro de Lula, a respeito de reuniões com Vorcaro no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Também foi convidado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Para o relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), os requerimentos aprovados representam um “avanços importantes” para os trabalhos da comissão, mas ressaltou que os ministros do Supremo podem decidir não comparecer.
“A Casa, no entendimento da advocacia, não tem a capacidade de convocar ministros de outro Poder, assim como não pode convocar governadores. E, repito, o importante é você ter a coleta de documentos e testemunhas”, disse.
