Marinho leva a Fachin críticas à intervenção do Judiciário nas eleições.
Coordenador de Flávio Bolsonaro criticou decisões em questões eleitorais e disse que pedidos ao STF tentam burlar o sorteio de processos
06/10/2026 13:55

O coordenador da campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, foi para tratar de intervenções do Judiciário na política, em especial nestas eleições.
Marinho esteve no STF no início da tarde desta terça-feira (6/10) e disse ter levado ao ministro preocupações sobre essas intervenções.
O senador citou dois exemplos que, segundo ele, foram apresentados na conversa: decisões de ministros do STF em questões eleitorais e a intervenção do Supremo na política do Rio de Janeiro. Por decisão da Corte, o desembargador Ricardo Couto exerce interinamente o cargo de governador do estado após a renúncia de Cláudio Castro (PL).
“Neste final de semana, nós identificamos mais de 20 petições que foram apresentadas na ADPF 854, que está sob a égide do ministro Flávio Dino, todas feitas por deputados da esquerda que aparentemente entenderam que é necessário burlar, enganar, engrupir, né, o sistema de distribuição do Supremo Tribunal Federal, que preza por um princípio que é caro no Judiciário, que é o da impessoalidade. Você não escolhe o juiz”, disse Marinho.
O senador prosseguiu: “E o senhor Flávio Dino, via de regra, tem aceito essas petições e desconhecido olimpicamente, inclusive, a resolução feita pelo próprio ministro Fachin, que, entendendo o que estava acontecendo, emitiu uma resolução que está sendo desconhecida pelo ministro Dino, como foi também pelo ministro Gilmar Mendes, em menor proporção.”
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraSegundo Marinho, parlamentares alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estariam apresentando pedidos aos dois ministros em processos no STF para contornar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por Kassio Nunes Marques e cujo vice-presidente é André Mendonça.
“Senado não será omisso”
Em entrevista à imprensa, logo após o encontro com Fachin, Marinho disse que o Senado não vai se omitir caso ministros da Corte cometam crimes de responsabilidade.
Em visita ao Supremo na tarde desta terça-feira (6/10), Marinho afirmou que já se reuniu com seis ministros do STF e ressaltou que a campanha não tem espírito de retaliação, acrescentando que “pelo contrário o que nós queremos é reconstruir o país, queremos normalizar a relação dos Poderes e queremos que a separação seja de fato”.
“Não é possível que a sociedade tenha a percepção de que o Judiciário é uma extensão do governo. Isso faz mal à democracia brasileira. Nós queremos a imparcialidade, nós queremos o respeito às instituições. As regras são estabelecidas para o conjunto da sociedade, não para amigos do rei”, ponderou o coordenador.




