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Manoela Alcântara

Institutos de pesquisa dizem que selo do TSE "confunde ciência com bola de cristal"

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep) emitiu nota sobre selo de qualidade apresentado pelo TSE nesta terça-feira

14/07/2026 15:10
Pexels/Reprodução
Redução da escala 6x1

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (Abep) afirmou que a proposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de criar o Selo Acurácia Eleitoral, para premiar institutos de pesquisa que mais se aproximarem do resultado das urnas, “parte de uma premissa equivocada sobre o que é uma pesquisa eleitoral”.

A nota foi emitida pela associação após reunião com presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, nesta terça-feira (14/7). Na opinião da entidade representativa, as pesquisas medem a intenção de voto no momento em que são realizadas, seria um recorte, não previsões nem promessas de resultado.

E completou: “Entre a entrevista e a votação, eleitores mudam de opinião, deixam de votar ou alteram seu comportamento. Exigir que uma pesquisa “acerte” o resultado é confundir ciência com bola de cristal”.

Para a Abep, o selo enfraquece as pesquisas: “Quando o objetivo passa a ser ganhar um selo de “acerto”, o incentivo deixa de ser produzir a melhor pesquisa e passa a ser publicar o número que maximize a chance de receber o prêmio. Isso enfraquece, em vez de fortalecer, a qualidade da informação oferecida ao eleitor”, afirmou a Abep.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, discutiu na manhã desta terça-feira (14/7) o Selo Acurácia para pesquisas de intenção de voto.

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Nunes Marques se encontrou com representantes de empresas de pesquisa de intenção de voto, e o assunto permanecerá em discussão até o dia 17 de julho.

Minuta

A minuta apresentada pelo TSE às empresas propõe a criação do Selo Acurácia Eleitoral, que visa reconhecer empresas de pesquisa eleitoral cujas estimativas tenham maior proximidade com os resultados oficiais das eleições.

Objetivos do selo:

  • Estimular maior precisão das pesquisas;
  • Incentivar o aperfeiçoamento metodológico;
  • Promover o cumprimento das normas eleitorais;
  • Dar visibilidade aos institutos com melhor desempenho;
  • Aumentar a transparência e a confiança nas pesquisas;
  • Produzir indicadores sobre a qualidade histórica das pesquisas.

O selo será concedido apenas em anos de eleições gerais, se a resolução for aprovada ou publicada, pois ainda está em em discussão. A intenção é analisar apenas pesquisas registradas no sistema oficial (PesqEle) e divulgadas ao público.

Regulamentação

Os indicadores estatísticos, metodologia de cálculo e critérios de classificação serão definidos posteriormente em regulamento específico da presidência do TSE, com participação da Diretoria de Assuntos Estratégicos (DAE) e das empresas de pesquisa.

A proposta cria um prêmio oficial de reconhecimento aos institutos de pesquisa que mais acertarem os resultados eleitorais, mas deixa para um regulamento posterior a definição da metodologia de cálculo da acurácia.

Debate

Durante o encontro com 16 institutos, alguns expuseram pontos de discordância acerca da criação do Selo Acurária Eleitoral. O argumento principal foi que um instrumento baseado em acerto não condiz com as pesquisas de intenção de voto que são um “recorte do momento”. Institutos ouvidos pela coluna consideraram o encontro como respeitoso, com debate de ideias.

As propostas foram ouvidas e os interessados mandarão as sugestões até sexta-feira (17/7). Um novo texto, com a perfeiçoamento da minuta deve ser elaborado.