Gilmar diz que discutir urnas eletrônicas "não faz mais sentido"
Decano do STF disse esperar eleição menos conturbada do que a de 2022 e defendeu a confiabilidade das urnas

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que “não faz mais sentido” discutir a confiabilidade das urnas eletrônicas. A declaração foi dada ao comentar as recentes críticas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao sistema eleitoral durante o período de pré-campanha.
Gilmar deu a declaração na manhã desta quarta-feira (5/8). O decano afirmou que não espera eleição tão conturbada quanto a de 2022 e disse desejar que o pleito deste ano não tenha desdobramento como os que culminaram nos atos do 8 de Janeiro.
“É normal que, em período eleitoral, haja um certo estresse, algumas hipérboles, alguns exageros. Acredito que todos que disputam eleições há mais de 20 anos no país confiam no sistema eleitoral […]. Nenhum político discute seriamente a fidelidade do resultado eleitoral. Não faz mais sentido discutir as urnas eletrônicas nessa perspectiva. Nós podemos sempre aprimorar”, disse Gilmar.
O decano prosseguiu: “No meu período [como presidente do TSE], nós colocamos a questão da biometria, porque poderia haver a possibilidade de alguém usar a carteira de identidade de outro para votar. Colocamos a biometria e assim vamos sucessivamente”.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraO ministro pontuou ainda que veículos da imprensa americana elogiam o sistema eleitoral brasileiro e frisou que discutir esse tema é perda de tempo.
“Não vamos perder tempo com essas boutades que podem animar um ou outro espírito. Não faz sentido. Vamos nos ocupar de campanha, vamos nos ocupar de mensagens, mas nada com as urnas eletrônicas”, ponderou.
Declaração
A declaração de Gilmar ocorre após o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas durante reunião com embaixadores.
Flávio afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das produzidas pela empresa venezuelana Smartmatic, supostamente envolvida em plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012.
“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa [venezuelana]”, disse Flávio.
O parlamentar pediu aos diplomatas que enviem o maior número possível de observadores estrangeiros para acompanhar as eleições deste ano no Brasil.
Após a repercussão, o senador negou, por meio de nota, ter questionado a integridade do sistema eleitoral brasileiro, no qual disse ter “integral confiança”.
A declaração de Gilmar nesta terça-feira foi dada durante o Brasília Summit, realizado no Brasília Palace Hotel. O evento foi promovido pelo Lide, grupo empresarial fundado pelo ex-governador de São Paulo João Doria.




