Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Manoela Alcântara

Flávio cita máscaras de Lula para rebater ação do PT sobre vídeo de IA

Defesa sustenta que conteúdo com IA era transparente, sem potencial de enganar o público, e pede que TSE rejeite ação movida pelo PT

28/07/2026 14:07, atualizado 28/07/2026 14:33
Partido Liberal
Imagem colorida mostra vídeo de Bolsonaro feito com IA. Metrópoles

Os advogados do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeite a ação movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) contra o vídeo com inteligência artificial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) exibido na convenção do partido.

O documento foi apresentado na manhã desta terça-feira (28/7) ao ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso no TSE.

A defesa de Flávio afirmou que a interpretação defendida pela federação formada por PT, PV e PCdoB também alcançaria publicações dos próprios partidos que a integram. Como exemplo, os advogados citaram imagens de apoiadores utilizando máscaras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período em que ele esteve preso.

“Ora, o avatar reclamado nada mais é do que a versão moderna e tecnológica daquilo que sempre foi usado em eventos partidários e eleitorais como bonecos de papel, imagens em cartazes e até em máscaras, camisas, com mensagens de apoio. Ou seja, o recurso utilizado equivale, funcionalmente, a uma representação audiovisual contemporânea, personagem digital ou “boneco” tecnológico empregado para expressar mensagem declaradamente artificial”, cita a representação.

Os advogados prosseguem: “Fantoches, animações, caricaturas, dublagens, charges, personagens digitais e representações gráficas sempre integraram a comunicação política. A inteligência artificial apenas ampliou os recursos técnicos disponíveis, não sendo constitucionalmente legítimo presumir, em todo emprego dessa ferramenta, fraude ou manipulação ilícita do eleitor.”

Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela Alcântara

A manifestação também destaca que o próprio “Bolsonaro de IA” deixa claro, logo no início da exibição durante a convenção, que “isso que vocês estão vendo aqui não sou eu” e que “isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita por inteligência artificial”

“A informação é direta, ostensiva e anterior ao restante da mensagem. O público foi avisado de que não se tratava de presença física, transmissão ao vivo ou gravação autêntica de Jair Bolsonaro”, salientou a defesa.

Com isso, segundo a defesa, a gravação não tinha potencial para induzir o público ao erro, já que deixava explícito tratar-se de um conteúdo produzido por inteligência artificial. Os advogados também sustentam que o vídeo não configura propaganda eleitoral antecipada nem “deepfake”.

IA

A peça apresentada pelos advogados do PL ao ministro Nunes Marques também sustenta que, embora a federação formada por PT, PV e PCdoB questione o vídeo de IA de Bolsonaro exibido na convenção, canais oficiais ligados ao presidente Lula e ao partido também utilizam conteúdos produzidos com inteligência artificial contra o clã Bolsonaro.

Como exemplo, a defesa cita três publicações. Uma delas foi divulgada no perfil oficial do PT no Instagram e rebate o uso da inteligência artificial em uma propaganda publicada por Flávio.

“Caso o PT ou os canais oficialmente vinculados à candidatura do Presidente incumbente se submetessem à interpretação agora defendida na presente petição inicial, então também eles estariam a cometer ilícitos. Ilícitos em série”, afirma a petição.

Em outro trecho, os advogados mencionam uma imagem produzida por inteligência artificial publicada pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), na qual Bolsonaro aparece abraçado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado pela Polícia Federal (PF).

“Em resumo: a deep fake tem a enganosidade como mote, reveste-se de intuito ofensivo e tem por padrão introduzir ou manipular digitalmente registros reais, aprofundando o induzimento em erro”, diz a defesa.

Os advogados prosseguem: “A transparência integral, a ausência de falsidade material, a inexistência de qualquer ofensividade, a montagem exclusivamente digital (sem mesclas entre realidade e digital) e o contexto interno e político que é próprio das convenções partidárias constituem elementos relevantes que afastam, por completo, qualquer alegação de ilicitude manifesta, até porque de deep fake não se cogita na espécie.”