
Manoela AlcântaraColunas

Filhos de indígena mostram tornozeleira e pedem clemência a Moraes. Veja vídeo
Filhos dizem que não teve falha na tornozeleira e pedem que pai não seja preso. Cacique Sererê foi o pivô dos ataques à PF em 2022
atualizado
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Os filhos do cacique José Acácio Sererê Xavante pediram clemência ao ministro Alexandre de Moraes após o magistrado decretar a prisão preventiva do indígena, apontado como pivô dos ataques promovidos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à sede da Polícia Federal (PF).
Como mostrou a coluna, a ordem foi expedida para cumprimento pela PF após o descumprimento das medidas relacionadas ao uso da tornozeleira eletrônica.
Em vídeo obtido pela coluna, os filhos de Sererê Xavante aparecem ao lado do pai e pedem que ele não seja preso pelos agentes da PF. Segundo eles, a falha não teria sido do indígena, mas da Secretaria de Administração Penitenciária de Mato Grosso. A ordem de prisão preventiva foi expedida em 27 de janeiro.
“Nós não podemos fazer nada. Não temos força e credibilidade suficiente para nos defender. A única coisa que nos resta é orar e agradecer. Eu espero que ele consiga ser solto”, diz um dos filhos, enquanto mostra a tornozeleira.
“Isso é uma injustiça com a nossa família, porque não houve crime que o meu pai cometeu. Quem errou foi o estado de Mato Grosso e a Suprema Corte, que teve esse problema de ter desligado a tornozeleira. Ele não retirou a tornozeleira. Ele está aqui na nossa residência, então isso é uma falha que não temos nada a ver, e vamos ter que sofrer com a consequência”, afirma outro filho do cacique.
Sererê Xavante mora em uma área rural. Ao decretar a prisão, Moraes afirmou que o indígena não atendeu a ligações feitas por agentes da Secretaria de Administração Penitenciária nem entrou em contato para verificar ou substituir o equipamento.
Além disso, segundo o ministro, Sererê Xavante não compareceu ao órgão quando foi convocado. Diante desse cenário, Moraes disse que não é possível sequer garantir que o investigado continue utilizando a tornozeleira eletrônica.
“A circunstância caracteriza o descumprimento injustificado da medida substitutiva da prisão. Nesse contexto, o descumprimento das medidas cautelares pessoais diversas da prisão é causa hábil a autorizar o restabelecimento da custódia preventiva, nos termos dos arts. 282, §§ 4º e 5º, e 312, §1º, do Código de Processo Penal […] Diante do exposto, nos termos da manifestação da Procuradoria-Geral da República e do art. 312, § 1º, do Código de Processo Penal, decreto a prisão preventiva de José Acácio Sererê Xavante”, escreveu Moraes.
Prisão
Sererê Xavante já havia sido preso na Argentina em dezembro de 2024, após descumprir medidas cautelares. Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), ele foi um dos líderes do acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em 2022, com o objetivo de pedir um golpe militar contra o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O indígena é evangélico e se autodenomina pastor. Conhecido por seu apoio a Bolsonaro, ganhou notoriedade ao promover manifestações antidemocráticas em diferentes pontos de Brasília.
Em 2022, a prisão de Sererê Xavante foi o estopim para a noite de violência registrada em Brasília, em 12 de dezembro, quando militantes bolsonaristas incendiaram veículos no centro da capital e tentaram invadir a sede da Polícia Federal, para onde o indígena havia sido levado inicialmente.
Segundo a PF, ele participou de manifestações de cunho antidemocrático em diversos locais, como em frente ao Congresso Nacional, no Aeroporto Internacional de Brasília, no ParkShopping, na Esplanada dos Ministérios e em frente ao hotel onde estava hospedado o então presidente eleito Lula.
Após a tentativa de invasão à sede da PF, já no início de janeiro de 2023, quando ainda estava preso, o cacique assinou uma carta na qual reconheceu ter cometido um “equívoco” ao defender a tese de que houve fraude nas urnas eletrônicas.












