
Manoela AlcântaraColunas

Farra do INSS: Mendonça envia à PGR delação premiada de Camisotti
Empresário admitiu fraudes em esquema bilionário contra aposentados em depoimento à PF. Envio é para que a PGR analise o acordo
atualizado
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o acordo de delação premiada firmado pelo empresário Maurício Camisotti com a Polícia Federal (PF).
O envio do material tem como objetivo permitir que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, analise os elementos que corroboram o acordo.
Conforme o Metrópoles mostrou, Camisotti topou colaborar e confessou a existência de fraudes no esquema da Farra do INSS, que lesou aposentados e pensionistas. O caso foi revelado pelo Metrópoles. A coluna do Metrópoles de Igor Gadelha ressaltou que o avanço nas negociações de Camisotti ocorre enquanto as do banqueiro Daniel Vorcaro ainda patinam.
Os investigadores da PF ouviram o empresário, dono de companhias nas áreas de seguros e planos de saúde.
Segundo a investigação, o empresário controlava três entidades: a Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap).
Essas instituições tinham como diretores estatutários funcionários e parentes de executivos do grupo de empresas de Camisotti.
Juntas, somente no último ano, elas faturaram R$ 580 milhões. O montante, no entanto, chega a R$ 1 bilhão quando considerado o período desde 2021.
Somente após a análise da PGR, o caso retornará ao crivo de Mendonça, que poderá ou não homologar o acordo.
Delação
Desde que o inquérito foi instaurado, esta é a primeira delação firmada no escândalo do INSS, que motivou fases da Operação Sem Desconto.
A expectativa da defesa é de que, com o acordo, Camisotti — apontado como um dos líderes do esquema bilionário de fraudes — consiga autorização para prisão domiciliar.
Em um primeiro momento, Camisotti ficou preso na penitenciária de Guarulhos e, depois, foi transferido, em março deste ano, para a Superintendência da PF em São Paulo, em acordo com a defesa. Até o momento, entretanto, ele segue nesse regime.
O ex-procurador-geral do instituto, Virgílio Oliveira Filho, e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis também negociam acordo de colaboração. Já Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, tem recebido pressão para colaborar, mas, até o momento, o caso está apenas na fase de sondagem.






