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Manoela Alcântara

Desembargador do TRF-2 preso pede julgamento presencial a Moraes

Macário Júdice está preso desde dezembro de 2025 e nega vazamento de informações sigilosas sobre operação ao Comando Vermelho

09/07/2026 16:09
Reprodução/Redes sociais
Desembargador do TRF-2 preso pede julgamento presencial a Moraes

A defesa do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para ter seu caso julgado no plenário físico.

Macário está preso desde dezembro de 2025 e foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por obstrução de investigação relacionada ao vazamento de informações sigilosas ao Comando Vermelho sobre a operação que mirava o ex-deputado TH Joias.

A denúncia contra ele tem julgamento virtual agendado para ocorrer entre 14 e 21 de agosto. No entanto, os advogados alegam ao STF que o desembargador ainda não ainda não foi ouvido para se defender das acusações a ele atribuídas, de que teria vazado a informação de uma operação da Polícia Federal contra o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, o TH Joias.

A ação contra o parlamentar ocorreu em setembro do ano passado. Segundo o argumento da defesa de Macário Júdice, a análise presencial permitirá esclarecer aspectos do conjunto probatório, que confronta os resultados obtidos pelos policiais federais ao longo da investigação.

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Nas argumentações no inquérito, os advogados afirmam que não houve encontro entre o desembargador e o ex-deputado Rodrigo Bacellar em uma churrascaria. Segundo a defesa, dados de localização dos celulares indicam que ambos não estavam no mesmo local às vésperas da operação.

Horário

De acordo com a denúncia da PGR, Macário tinha conhecimento prévio da operação da PF contra TH Joias, marcada para 3 de setembro do ano passado, e teria atuado para “atender a interesses ilícitos de organização criminosa” ao avisar sobre a ação.

A PGR destaca que a operação da PF tinha como principal alvo TH Joias. No entanto, quando os agentes foram ao gabinete dele na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), não encontraram computadores nem mídias na sala.

“As imagens do sistema de câmeras do condomínio onde está situada a residência de Thiego Raimundo [TH Joias], obtidas no curso das investigações, confirmam o conhecimento prévio do investigado sobre as providências cautelares e detalham a dinâmica de retirada de bens e objetos para frustrar a ação policial”, escreveu o procurador-Geral da República, Paulo Gonet, na denúncia.

A defesa de Macário ressalta que a cronologia apresentada pela PF indica que o vazamento teria ocorrido por volta das 22h, mas o alvo da operação, TH Joias, já demonstrava conhecimento prévio das medidas ainda à tarde — o que, segundo os advogados, enfraquece a hipótese de que a informação tenha partido do desembargador no horário indicado.

O argumento é de que essa comprovação prevalecerá em julgamento presencial.