
Manoela AlcântaraColunas

Careca do INSS exigia termo de sigilo de funcionários por até 5 anos
Contrato de confidencialidade obrigava trabalhadores de call centers ligados ao lobista a manter sigilo sobre dados de aposentados
atualizado
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O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, determinava que seus funcionários assinassem um termo de confidencialidade que os obrigava a manter sigilo sobre informações internas e dados de aposentados lesados pela farra do INSS.
O documento, obtido pela coluna, cita que os funcionários deveriam manter o sigilo das informações às quais tinham acesso dentro da empresa pelo prazo de cinco anos.
Em trechos do termo, o call center do Careca afirma que as informações às quais os empregados teriam acesso são confidenciais e que sua divulgação poderia “causar prejuízos significativos à empresa”.
O material também estabelece que o empregado deve manter sigilo absoluto em relação às informações “confidenciais das quais teve ou venha a ter conhecimento ou acesso em razão da prestação dos serviços”.
As cobranças do Careca dentro do call center eram grandes. Ele estipulava metas para que os funcionários realizassem de 150 a 200 descontos por dia em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, por meio da inclusão dos beneficiários em associações parceiras que cobravam mensalidades diretamente na folha — fato comprovado em análises de sistemas feitas pela Polícia Federal (PF).
Ao ouvir alguns funcionários do call center para entender a logística da empresa, a PF destacou que, embora o contrato tenha como objetivo evitar o vazamento de informações internas, o documento não impede investigações criminais.
Isso ocorre porque a legislação brasileira prevê que cláusulas de confidencialidade não se sobrepõem ao dever de colaborar com autoridades em apurações policiais ou judiciais.
Delação
Segundo apurou a coluna, investigadores da PF condicionam eventual delação premiada à apresentação de provas robustas que sustentem as informações oferecidas.
A avaliação é de que uma eventual colaboração do Careca seria considerada extremamente viável, mas não apenas com a apresentação de nomes de peso político.
Investigadores afirmam que será exigida comprovação material das informações levadas à mesa de negociação — inclusive se surgirem citações a personagens conhecidos, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Na avaliação de investigadores ouvidos pela coluna, a permanência na Papuda pode ser um fator de pressão para que o Careca decida falar.










