
Manoela AlcântaraColunas

Careca do INSS: PF aponta meta de 200 descontos por dia em call center
Segundo a Polícia Federal, meta do esquema previa de 150 a 200 descontos a cada dia por funcionário em call center
atualizado
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Em meio a indícios de que o Careca do INSS tinha elo com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, a Polícia Federal (PF) prepara um material minucioso para entregar ao ministro André Mendonça, do STF. O documento vai detalhar como funcionavam os call centers e a cobrança interna do operador do esquema para lesar aposentados e pensionistas.
Os investigadores reuniram relatos de funcionários e provas obtidas ao longo das apurações que mostram como operava parte do coração do esquema. A farra foi revelada pelo Metrópoles.
Segundo a PF, Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca, por intermédio de um de seus sócios, era um chefe exigente e cobrava que cada funcionário realizasse de 150 a 200 descontos nos contracheques dos aposentados e pensionistas por dia — fato comprovado em análises de sistemas feitas pelos investigadores.
Os registros eram feitos em plataformas usadas pelos call centers, nas quais os dados dos beneficiários eram inseridos pelos operadores da empresa.
Base de dados
De acordo com as investigações, o Careca comprava bases de dados contendo informações de aposentados e pensionistas, como nome completo, telefone e CPF.
Esses dados eram controlados por um setor de tecnologia da informação (TI) dedicado ao armazenamento e à organização das bases, localizado no mesmo endereço onde funcionavam dois call centers ligados ao lobista, em Brasília. Segundo a PF, a estrutura era considerada eficiente e bem organizada para a operação.
Os dados eram distribuídos aos funcionários, que tinham a tarefa de lançar os beneficiários no sistema. Essa filiação vinculava os aposentados a associações ou entidades responsáveis por cobrar mensalidades diretamente na folha de pagamento dos benefícios do INSS, o que permitia o início dos descontos, como já mostrou o Metrópoles em uma série de reportagens.
A PF pretende anexar aos documentos, que serão apresentados ao Supremo Tribunal Federal (STF), imagens que comprovam que com os dados pessoais desses beneficiários eram de livre acesso aos funcionários. Em alguns casos, havia anotações feitas até em papel e caneta para facilitar os descontos.
Esses materiais foram apreendidos e coletados pelos investigadores ao longo das fases da Operação Sem Desconto.
Delação
Segundo apurou a coluna, investigadores da PF condicionam eventual delação premiada à apresentação de provas robustas que sustentem as informações oferecidas.
A avaliação é de que uma eventual colaboração do Careca seria considerada extremamente viável, mas não apenas com a apresentação de nomes de peso político.
Investigadores afirmam que será exigida comprovação material das informações levadas à mesa de negociação — inclusive se surgirem citações a personagens conhecidos, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Na avaliação de investigadores ouvidos pela coluna, a permanência na Papuda pode ser um fator de pressão para que o Careca decida falar.
