
Manoela AlcântaraColunas

Bolsonaro diz ao STM ter “capital de lealdade” para evitar expulsão
Defesa afirma que expulsão do Exército representaria dupla punição após condenação no STF por tentativa de golpe
atualizado
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) alegou ao Superior Tribunal Militar (STM) que acumulou um “capital de lealdade” ao longo de sua trajetória para tentar evitar a perda da patente de capitão do Exército.
O argumento aparece em defesa apresentada no processo que discute a expulsão do ex-presidente, após representação do Ministério Público Militar (MPM).
Em documento obtido pela coluna, a defesa do ex-presidente argumenta que a expulsão acarretaria uma dupla punição, tendo em vista que ele já foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo da tentativa de golpe.
A defesa cita que a atuação dele no Exército e na Presidência da República não tinham relação entre si, já que ele está reformado há décadas.
“A Constituição exige um julgamento autônomo justamente para que se avalie o Patrimônio Ético do Oficial sob perspectiva própria do tribunal castrense. Uma carreira pautada pela dedicação, condecorações e ausência de punições disciplinares durante o serviço ativo constitui um ‘capital de lealdade’ que não pode ser sumariamente ignorado”, disse a defesa.
Os advogados prosseguem: “Não se pode admitir que a Representação para Declaração de Indignidade seja reduzida a um mero ato vinculado ao trânsito em julgado da sentença penal. Se assim fosse, a própria previsão constitucional de um julgamento específico perante este Tribunal seria inócua e despida de sentido normativo”.
Conforme mostrou o Metrópoles, em reportagem da coluna de Tácio Lorran, o ex-presidente também apontou que o vice-presidente do STM seria suspeito para julgar Bolsonaro. Segundo o documento, a defesa cita que o brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo já deu entrevistas sobre o julgamento de Bolsonaro no caso da tentativa de golpe.
Defesa
O ex-presidente está na fase de apresentar defesa por escrito em razão da representação do MPM que pede a perda do posto nas Forças Armadas, conforme mostrou a coluna.
Se Bolsonaro e os demais forem declarados indignos ou incompatíveis com o oficialato, poderão perder o direito de receber diretamente seus vencimentos. Nesse caso, o soldo é convertido em pensão a ser paga à esposa ou aos filhos.
