Aliado da Rumble pede que EUA rejeite pedido da AGU sobre Moraes
Memorial contesta a defesa apresentada pela AGU e pede que a ação contra Alexandre de Moraes continue na Justiça americana

O brasileiro Rogério Chaves Scotton, que busca atuar como amicus curiae no processo em que a Rumble e a Trump Media acusam o ministro Alexandre de Moraes de censura nos Estados Unidos, pediu à Justiça americana que rejeite o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) para extinguir a ação.
Em memorial, Scotton afirma que a AGU tenta impedir que a Justiça dos Estados Unidos analise os efeitos, em território americano, das decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo ele, o governo brasileiro trata automaticamente todas as decisões de Moraes como atos oficiais do Estado, o que, de acordo com a argumentação, impediria o prosseguimento da ação.
O brasileiro sustenta que a Corte dos EUA deve decidir primeiro se as ordens de Moraes podem ser aplicadas em território americano para, só depois, discutir eventuais imunidades.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela AlcântaraScotton também ressalta que a ação não busca revisar as decisões do ministro, mas discutir se elas têm validade nos Estados Unidos. O documento foi apresentado na última sexta-feira (24/7).
Moraes é representado pela AGU nesse processo. O órgão também ingressou no caso como representante do Brasil. A ação ainda não foi analisada pela juíza Mary Scriven, responsável pelo caso na Justiça da Flórida.
Mudança de versão
Em peça apresentada à Justiça americana, a Rumble e a Trump Media acusam a AGU de mudar sua versão para defender Moraes nos Estados Unidos.
Segundo as empresas, o governo brasileiro informou anteriormente às autoridades americanas que decisões da Justiça brasileira não produzem efeitos automáticos no país e precisam seguir os canais oficiais de cooperação internacional.
As companhias sustentam que a AGU, ao representar o Brasil na ação, passou a defender o contrário ao pedir a extinção do processo sob o argumento de que as ordens de Moraes são atos soberanos do Estado brasileiro.
No parecer, Rumble e Trump Media afirmam ainda que Moraes é o verdadeiro réu da ação e teria atuado além de sua autoridade ao expedir ordens contra empresas sediadas nos Estados Unidos.
“O fato de ele ostentar a condição de juiz não faz do Brasil a parte efetivamente interessada […]. O processo não questiona a validade das decisões do ministro dentro do Brasil, mas apenas se elas podem produzir efeitos em território americano”, afirmam Rumble e Trump Media.
AGU rebate
Já a AGU sustenta que decisões da Suprema Corte brasileira e de seus ministros não podem ser questionadas por tribunais estrangeiros.
O órgão afirma que a tentativa de tribunais de outros países de intervir em decisões do Judiciário brasileiro representa uma “grave ofensa à imunidade de jurisdição”.
Segundo a AGU, atos praticados por agentes públicos de um Estado soberano não podem ser submetidos, sem o consentimento desse Estado, à jurisdição de tribunais estrangeiros.
O documento ressalta que o Brasil não consentiu nem consentirá com a análise de decisões de sua Suprema Corte por juízes de outro país. Por isso, sustenta que decisões judiciais brasileiras devem ser cumpridas ou contestadas perante os próprios tribunais brasileiros, conforme a legislação processual vigente.




