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Creator economy cresce, mas ainda falta estabilidade

A maioria dos creators brasileiros quer viver da criação de conteúdo, mas esbarra na falta de apoio e oportunidades no mercado

atualizado

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Creator economy cresce, mas ainda falta estabilidade – Metrópoles
1 de 1 Creator economy cresce, mas ainda falta estabilidade – Metrópoles - Foto: Dragos Condrea/Getty Images

Os criadores de conteúdo desejam transformar a paixão por criar em uma profissão principal. Mas, para isso, ainda buscam mais estrutura, oportunidades e previsibilidade — fatores essenciais para que o setor evolua de vez para uma nova etapa de profissionalização.

A informação está presente na nova edição da pesquisa Creator POV 2025, da BrandLovers.

Segundo o levantamento, a creator economy segue crescendo, atrai investimentos e ocupa papel cada vez mais estratégico nas ações de marketing de marcas que buscam conexões reais com as  audiências.

Mas, para que esse ecossistema avance com consistência, é preciso entender o que falta para que mais creators consigam fazer desse trabalho uma ocupação principal e sustentável.

De acordo com a edição de 2025 da pesquisa, a maior já feita sobre creators no Brasil com mais de 5 mil criadores de conteúdo em todo o país, 67,5% dos respondentes afirmam que gostariam de se dedicar exclusivamente à criação de conteúdo — desde que tivessem mais estabilidade financeira e oportunidades consistentes.

Hoje, apenas 37,1% afirmam que essa é a principal fonte de renda. A maioria (54%) atua como creator de forma complementar, e 8,9% criam por hobby.

Essa falta de estrutura impacta o crescimento do setor. Só 5,3% dos creators contam que a renda atual permite bancar as contas, garantir estabilidade e seguir criando com tranquilidade. Para as marcas, o dado acende um alerta: se a base da creator economy não conseguir se manter ativa, qual será a escala e a qualidade das entregas nos próximos anos?

Falta estrutura, não vontade

Além da questão financeira, a relação dos creators com as plataformas digitais também exige atenção.

A pressão para performar, adaptar formatos e estar sempre visível cobra um preço: 67% dos respondentes apontam que lidar com os algoritmos é um dos maiores desafios da profissão, afetando diretamente o alcance, engajamento e previsibilidade das entregas.

Outro dado que chama a atenção é de que 64,7% ressaltam sentir que precisam estar sempre on-line para não perder relevância ou oportunidades — o que interfere no descanso, nas pausas e no planejamento. Para 11,9%, a necessidade de diversificar formatos também aparece como uma dor.

Apesar desses desafios, os creators demonstram clareza sobre o que precisam para seguir criando com qualidade: parcerias com marcas alinhadas ao perfil (73,7%), liberdade criativa (60,3%), previsibilidade de ganhos (59,6%) e tempo para criar com calma (45,5%) são os fatores mais citados como essenciais para o bem-estar profissional.

“Para mudar essa realidade, é preciso ir além do discurso de valorização e construir relações mais humanas e sustentáveis com esses profissionais”, afirma Rapha Avellar, CEO e fundador da BrandLovers. “Isso passa por remuneração justa, tempo de produção adequado e respeito ao estilo de quem realmente conhece o seu público”.

Não é só sobre grandes contratos

A Creator POV também revela o que pesa, de fato, na hora de fechar uma parceria. E os dados mostram que o valor do cachê é importante, mas não é tudo:

O que mais pesa na decisão de um creator na hora de fechar uma parceria?

  • 1º lugar: Qualidade dos produtos ou serviços
    • 57,8% dos respondentes
  • 2º lugar: Relevância para o seu público
    • 52%
  • 3º lugar: Remuneração justa
    • 44,9%
  • 4º lugar: Afinidade com os valores da marca
    • 41,1%
  • 5º lugar: Reputação da marca
    •  36%
  • 6º lugar: Liberdade criativa para produzir o conteúdo
    • 32,3%
  • 7º lugar: Já ter tido uma boa experiência com a marca
    • 16,5%

O dado é especialmente relevante para marcas que ainda abordam creators com propostas pouco alinhadas ao  perfil ou à  audiência. A qualidade do que será promovido — e o quanto isso faz sentido para a comunidade daquele criador — é fator determinante entre uma publi que funciona e uma que passa batido.

“Entender o que move os creators é o primeiro passo para que marcas invistam de forma inteligente. É por isso que criamos o Creator POV: para gerar dados e insights que mostrem quem são esses profissionais, o que eles valorizam e como construir parcerias que funcionam para os dois lados”, pondera Avellar.

Ecossistema

Apesar de algumas predominâncias — como o fato de que 90% dos respondentes se identificam como mulheres e 56% estão entre 28 e 43 anos — o ecossistema criativo brasileiro é plural em perfis, temas e formas de atuação.

Há representatividade racial (41,8% dos respondentes se identificam como pessoas negras — somando pretos e pardos), diversidade de orientação sexual, amplo espectro de escolaridade e uma gama variada de assuntos abordados. Os três principais nichos dos criadores de conteúdo no Brasil são:

  • Beleza (76,9%)
  • Lifestyle (74,7%)
  • Moda (54,6%)

Outros temas também ganham destaque: saúde e bem-estar (31,9%), fitness e esportes (30,4%), comida e bebida (18,7%), viagem (15,2%), cultura e entretenimento (14,9%), maternidade/paternidade (14,3%) e pets (6,2%).

Esses dados ajudam as marcas a segmentar estratégias, entender quais universos estão mais saturados — e onde ainda há espaço para se destacar com campanhas bem pensadas, bem pagas e com criadores que realmente acreditam no que estão promovendo.

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