
Lucas PasinColunas

Por que Juliano Cazarré está sendo detonado por atores da Globo
Juliano Cazarré lança evento sobre masculinidade, fala em “homens frágeis” e recebe críticas de colegas da Globo
atualizado
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Juliano Cazarré resolveu entrar em mais uma controvérsia. Desta vez, sem fazer muito esforço para evitar a repercussão. O ator anunciou a criação do evento O Farol e a Forja, que, segundo ele, tem como objetivo fortalecer o público masculino com palestras sobre liderança, empreendedorismo e vida espiritual.
Até aí, um congresso como tantos outros. O detalhe é o discurso que acompanha a iniciativa. Cazarré afirma que os homens estão “fragilizados” na sociedade atual e diz já ter sido “cancelado várias vezes” por defender que homens e mulheres têm “papéis diferentes” em uma relação.
No pacote, ele também sustenta que sofre críticas “por defender a família e por não pedir desculpas por ser homem”. Em tom de provocação, resumiu a própria estratégia: “Ele sabia que ia apanhar. E criou o evento mesmo assim”.
O ator, que desde 2018 passou a adotar posições públicas mais alinhadas ao conservadorismo após sua conversão ao catolicismo, tentou dar um enquadramento conceitual ao debate.
“A masculinidade não é um erro a ser corrigido, nem uma arma para ser usada contra os outros. Ela é uma ferramenta de construção para a família e para a sociedade”, escreveu.
A fala, no entanto, não ajudou a reduzir o barulho. Pelo contrário, funcionou como combustível. E a reação veio especialmente entre colegas de profissão, muitos deles com passagem pela Globo, emissora onde Cazarré fez parte do elenco de Três Graças, atual novela das nove escrita por Aguinaldo Silva.
Nos comentários da publicação, o tom variou entre ironia, reprovação e alerta. O ator Paulo Betti rebateu: “É tanto convencimento que ele se refere a si na terceira pessoa como se fosse uma entidade”.
Já a atriz Julia Lemmertz recorreu à ironia: “Que Deus tenha piedade dessa nação… Já dizia Eduardo Cunha”. A discordância também apareceu de forma mais sucinta com Guta Stresser: “Não concordo com o que diz o colega, sinto muito”.
O tom ficou mais duro em outras respostas. Maeve Jinkings escreveu: “Apenas triste em te ver enredado numa auto narrativa tão perigosa e narcísica. Chega a ser irresponsável. Mas você é adulto, tem recursos”. Na mesma linha, Cláudia Abreu contextualizou: “Num país com recorde de feminicídios…”.
Quem também se posicionou foi Marjorie Estiano, que ampliou o debate: “Juliano, você não criou. Você só está reproduzindo em maior ou menor grau, na verdade, um discurso que já é ampla e profundamente difundido, enraizado e que mata mulheres todos os dias. Por favor, dá uma olhada para isso”.










