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“Fracasso foi imposto”, diz coautor de obra polêmica de Gilberto Braga

Segundo João Ximenes Braga, fiasco da novela Babilônia foi provocado por "intervenção mal intencionada" e teria deixado Gilberto deprimido

atualizado 31/10/2021 17:37

João Ximenes Braga e Gilberto BragaMontagem

“A Babilônia que vocês viram não chega aos pés da Babilônia que escrevemos”. A afirmação é do dramaturgo João Ximenes Braga, que acusa um “interventor” de ter desfigurado a história. Coautor do folhetim, ele acompanhou a saga de Gilberto Braga diante do fracasso da trama, exibida em 2015. Até hoje, o título ostenta os mais baixos índices de audiência já obtidos por uma produção no horário nobre da Globo.

As revelações de João Ximenes Braga foram publicadas pela jornalista Cristina Padiglione, da Folha de S.Paulo. Enlutado com a morte do criador de Vale Tudo, Ximenes afirma que Gilberto não queria morrer sem a oportunidade de voltar a ter um texto produzido e reconhecido pelo público e pela crítica. Confissão que teria ouvido do próprio autor, morto na semana passada. “(Ele) me disse textualmente que não queria encerrar sua carreira com um fracasso e queria voltar a trabalhar logo para recuperar o seu prestígio. Pode parecer irrelevante lembrar de um fracasso nesse momento em que todos o homenageiam pelos sucessos, mas superar esse fracasso era importante para ele”, conta.

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O dramaturgo diz que o naufrágio da trama, que teve elenco estelar encabeçado por Fernanda Montenegro, Glória Pires e Adriana Esteves não foi bem explicado. “Sinto a urgência de por os pingos no is: o fracasso artístico e de audiência de Babilônia não pode ser atribuído a Gilberto e sim à intervenção mal intencionada que destruiu completamente a espinha dorsal da novela”. João Ximenes revela, ainda, que deu todos os detalhes sobre a tal interferência no folhetim em depoimento concedido ao jornalista Mauricio Stycer, que prepara a biografia de Gilberto Braga

Embora não tenha sido citado por João Ximenes Braga, o autor Silvio de Abreu era o responsável pelo departamento de dramaturgia da Globo no período em que Babilônia foi produzida.

Ex-colaborador quer que emissora disponibilize ao público os originais da obra de Gilberto Braga

O dramaturgo cobra uma atitude da TV Globo, com o objetivo de esclarecer o que de fato aconteceu com a polêmica trama. “É um apelo público para que a TV Globo disponibilize (…) os cerca de 80 capítulos que escrevemos de Babilônia antes da intervenção. Pode ser num livro, no site do Memória Globo, ou uma simples doação à Biblioteca Nacional, para que fãs e pesquisadores possam conhecer a produção do Gilberto”.

“É o mínimo a fazer com a memória do Gilberto. E tenho certeza de que ele gostaria disso. Em seu último telefonema pra mim, ele insistia que queria fazer uma novela para não encerrar sua carreira com o fracasso que lhe foi imposto”, revela João Ximenes Braga.

Morto na semana passada, Gilberto Braga parecia mesmo empenhado em deixar o insucesso para trás. Desde 2015, apresentou à direção da TV Globo o projeto de uma minissérie sobre a vida da cantora Elis Regina, uma novela para o horário das 23h – que chegou a ter 60 capítulos escritos e entregues à emissora, e uma adaptação do clássico Feira das Vaidades, que viraria uma trama para a faixa das 18h. Os textos, adiados ou reprovados, jamais deixaram o papel.

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