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Ilca Maria Estevão

Virgil Abloh e oito artistas criam máscaras em apoio a museu de Los Angeles

Nomes como Yoko Ono e Pipilotti Rist se uniram à iniciativa, que angaria fundos para a instituição cultural afetada pela Covid-19

12/08/2020 15:00, atualizado 12/08/2020 17:05
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/Divulgação
Máscaras do Museum of Contemporary Arts of Los Angeles

Nove artistas uniram esforços com o intuito de angariar fundos para o Museum of Contemporary Art of Los Angeles (Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles). Personalidades como o estilista Virgil Abloh e Yoko Ono criaram máscaras faciais limitadas para o projeto MOCA Masks, com toda a receita revertida para a instituição cultural. O museu fechou as portas em março, por causa da pandemia de Covid-19, e segue realizando apenas programações virtuais. Assim como várias outras instituições culturais, buscou uma forma de arrecadar dinheiro em meio à crise sanitária.

Vem comigo saber mais detalhes!

@kvell/Giphy/Reprodução

Máscaras artísticas

Na colaboração com o museu, cada artista deu seu próprio toque às máscaras. Muitas das artes, inclusive, são exclusivas para o projeto. Abloh, por exemplo, usou uma de suas assinaturas: palavras entre aspas. A máscara do estilista diz “Still Speaks Loudly” (ainda fala alto, em tradução livre). Possivelmente, uma alerta para que as pessoas evitem tirar a máscara do rosto para falar.

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A musicista e artista plástica Yoko Ono fez uma espécie de quebra-cabeça com uma única peça colorida, que remete a um céu com nuvens. Enquanto isso, a artista visual Pipilotti Rist projetou a máscara Smart Yuji, com uma flor na frente de um rosto. O museu descreve o projeto como “o compromisso do museu em tornar a experiência da arte acessível e encorajar a urgência da expressão contemporânea”.

Outras opções chamativas são a da artista Catherine Opie, com a imagem de um bigode, e as flores azuis da The Andy Warhol Foundation. Barbara Kruger apostou na ironia, com um modelo bem direto que diz: “Melhor prevenir do que remediar”. As outras são mais discretas, como o degradê lilás de Alex Israel.

Os produtos podem ser usados diariamente, mas não são indicados para uso clínico. Trabalhados 100% em algodão, são confeccionados à mão pela à mão por Citizens of Humanity, em Los Angeles, e devem ser lavadas antes do primeiro uso (e depois de todos os outros). A lavagem é indicada com água e detergente, sem alvejantes, para evitar que desbotem. Os tamanhos são pensados para rostos variados.

Dimitrios Kambouris/Getty ImagesVirgil Abloh
O estilista Virgil Abloh é um dos nove artistas que desenharam máscaras para o Museum of Contemporary Art of Los Angeles (Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles), com receita totalmente revertida para a instituição cultural
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMáscara de VIRGIL ABLOH
Esta é a máscara de Abloh, com uma de suas assinaturas: palavras entre aspas. Ela diz “ainda fala alto”, em tradução livre
JB Lacroix/Getty ImagesYoko Ono
A musicista e artista plástica Yoko Ono também colaborou com o projeto
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMáscara de Yoko Ono
Este é o modelo de Ono, com o desenho de um quebra-cabeça. A única parte colorida remete ao céu
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMáscara de PIPILOTTI RIST
Máscara da artista multimídia suíça Pipilotti Rist
A iniciativa

À Vogue US, o diretor do museu explicou detalhes da iniciativa. Tudo começou com um projeto que a instituição estava fazendo, que consistia em entrevistas com artistas para as redes sociais da instituição. Durante uma telefonema com o artista conceitual Hank Willis Thomas, que também fez um dos modelos de máscara, ele não conseguiu escutá-lo bem porque ele falava enquanto usava o acessório de proteção.

Depois, uma outra experiência curiosa influenciou na ideia. “Eu também repostei uma imagem de uma máscara da conta do MOCA no Instagram, e um de nossos administradores, Karyn Kohl, me mandou uma mensagem de texto dizendo: ‘Devemos fazer isso e eu vou apoiá-lo’. Então, [a ideia] veio parcialmente dos artistas, e em parte de Karyn”, destacou.

Além de as máscaras serem uma proteção individual e uma forma de ajudar o museu, Biesenbach disse à Vogue que elas devem servir como um lembrete para a importância da arte neste momento. Especialmente, como um ponto de fuga, de leveza e alegria.

“O que todos teriam feito durante aqueles meses de confinamento sem arte, filmes e literatura? Deveríamos nos conscientizar de que isso é algo que devemos considerar essencial, especialmente quando você pensa em educação e em trazer arte para as comunidades”, acrescentou o curador.
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMáscara de CATHERINE OPIE
Máscara da fotógrafa norte-americana Catherine Opie, com a imagem de um bigode
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMáscara de Hank Willis Thomas
“Este lado para cima. Vida. Manuseie com cuidado”, diz este modelo, do artista conceitual norte-americano Hank Willis Thomas
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMáscara de ANDY WARHOL
Máscara da Andy Warhol Foundation
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMáscara de MARK GROTJAHN
Esta é do pintor norte-americano Mark Grotjahn
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMáscara de ALEXIS RAEL
Trabalho do artista multimídia, escritor e designer de óculos californiano Alex Israel
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMáscara de Barbara Kruger
“Melhor prevenir do que remediar”, diz este modelo desenhado pela artista conceitual Barbara Kruger, dos Estados Unidos
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMáscaras MOCA
Cada compra beneficia diretamente o MOCA
Museum of Contemporary Arts of Los Angeles/DivulgaçãoMOCA MASK
Na compra de todos os modelos juntos, o cliente ganha uma máscara projetada pelo próprio museu
Situação dos museus

No fim de julho, uma pesquisa realizada pela American Alliance of Museums com 750 diretores de museus revelou que 1/3 deles pode fechar as portas definitivamente nos Estados Unidos. Isso se não houver uma ajuda a curto prazo do governo ou de doadores privados.

Enquanto a pandemia avança, as reservas financeiras dessas instituições estão chegando ao fim, e algumas delas podem sucumbir de vez. Por isso, ações como a coleção de máscaras do MOCA são tentativas de resistência durante esses tempos difíceis.

Fundado por artistas em 1979, o Museum of Contemporary Art of Los Angeles é dedicado à arte contemporânea, como o próprio nome diz, e tem um acervo com mais de sete mil peças de arte, introduzidas a partir de 1940. Com exposições, programações educacionais e publicações, o museu tem três instalações diferentes na cidade.

Cada máscara custa US$ 28, e são entregues, inclusive, no Brasil. Ao fazer o check-out das compras, é possível acrescentar um valor adicional de doação ao museu.


Colaborou Hebert Madeira