
Traje da seleção do Congo entrega estilo, resistência e orgulho; veja
Jogadores e comissão técnica chegaram aos Estados Unidos com terno personalizado que remete à história do país africano

A seleção de futebol da República Democrática do Congo chamou atenção não apenas por empatar com a equipe de Portugal na primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo 2026. Antes da estreia no mundial, os jogadores já haviam conquistado os holofotes ao aterrissarem nos Estados Unidos, mais especificamente em Houston, no Texas, com um traje que carrega muito estilo, mas também uma história de resistência e orgulho.
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O leopardo
A equipe da República Democrática do Congo pousou nos Estados Unidos e atraiu os olhares de todo o mundo por conta do traje escolhido para o momento. Tanto os jogadores quanto a comissão técnica vestiam ternos elegantes com uma faixa com estampa de leopardo sobre o ombro e um broche brilhante também representando o felino.


“Quando você vai para diferentes lugares no Congo, o leopardo simboliza força, resiliência, algo forte”, explica o designer responsável pelo traje, Alvin Junior Mak. “Quis traduzir essa visão, essa emoção e esses valores para a Copa do Mundo”, afirma.

O animal, inclusive, inspirou o apelido do time, que volta ao mundial após cinco décadas de fora. A última vez que o Congo competiu na Copa do Mundo foi em 1974, ano marcante para o futebol do país: foi a primeira vez que um time da África Subsaariana se classificou para o mundial. Antes disso, apenas seleções do norte haviam participado do campeonato, como o Egito, em 1934, e o Marrocos, em 1970.

A equipe na época representava o Zaire, e classificou-se durante o governo de Mobutu Sese Seko, ditador que investia fortemente no esporte como ferramenta de projeção internacional.

A ideia por trás do traje
À primeira vista, o detalhe da faixa de leopardo parecia o grande diferencial do uniforme social dos jogadores, quando, na verdade, o protagonista do traje é o terno.


Durante o período colonial, o traje foi levado ao Congo pelos belgas e acabou se tornando um símbolo de poder e status. Décadas mais tarde, nos anos de 1970, o ditador Mobutu proibiu o uso de ternos e gravatas no país, por considerá-los uma herança da colonização. Ele, então, criou o chamado “abacost”, nome que vinha da expressão francesa “à bas le costume“, ou “abaixo o terno“.

Ainda assim, muitos congoleses continuaram usando a roupa. Foi nesse contexto que ganhou força a cultura da Sape, ou dos sapeurs, homens que transformaram a elegância em uma forma de resistência, expressão e orgulho, ao se apropriarem de algo que antes era associado aos seus colonizadores.
Agora, 52 anos depois da última participação do país em uma Copa do Mundo, a seleção aparece com esses dois elementos no mesmo traje: o terno, que já foi proibido, e o leopardo, que foi monopolizado pelo regime: o próprio Mobutu utilizava a imagem do felino como símbolo de poder durante seu governo.

A visão do designer
A roupa foi criada pelo estilista congolês Alvin Junior Mak, com o objetivo de apresentar ao mundo uma imagem diferente do Congo. Em vez de associar o país apenas a conflitos, crises e doenças, ele quis – e conseguiu – destacar cultura, criatividade e talento.
“Meu objetivo era mudar o jeito e a visão das pessoas sobre a África, especialmente sobre o Congo”, revela Mak. “Sempre quando falavam sobre o nosso país era sobre ebola ou sobre guerra”, lamenta.















