1 de 1 foto com cor. vestido roxo - metrópoles
- Foto: Taylor Hill/FilmMagic via Getty Images
Da nobreza de civilizações antigas aos movimentos feministas contemporâneos, a cor roxa percorreu uma trajetória simbólica que atravessa milênios e geografias. Surgido como um pigmento raro e luxuoso extraído de conchas marinhas, o roxo vestiu reis, imperadores e líderes religiosos antes de se tornar, séculos depois, um dos principais emblemas da luta das mulheres por direitos iguais. Essa evolução cromática revela não apenas mudanças tecnológicas e sociais, mas também como uma cor pode carregar — e transformar — significados culturais profundos ao longo da história.
Vem saber mais!
O roxo simboliza poder, sofisticação e distinção
Relação da cor roxa com civilizações antigas
Nas civilizações antigas, a cor roxa era associada ao status de nobreza, atribuindo poder e luxo a quem usasse trajes contendo o pigmento. Tudo isso por se tratar de uma tonalidade rara e difícil de se obter: o roxo era derivado de um búzio marinho conhecido como murex. Para conseguir pequenas quantidades da tinta, eram necessárias milhares de conchas Muricidae (nome científico do murex), resultando em um produto exclusivo e acessível apenas para a elite da época.
Monarcas medievais e renascentistas continuaram a adotar o roxo em mantos, coroações e retratos, sinalizando poder divinamente concedido
Por causa de seu custo elevado, o roxo rapidamente se tornou um marcador de exclusividade
Logo, o roxo se tornou uma cor de destaque para as roupas de reis, imperadores e figuras religiosas, como faraós. O termo royal purple (roxo real, em tradução livre) se popularizou, fomentando a associação do pigmento com o status de riqueza e, coincidentemente, com a monarquia da época.
Até hoje, o roxo carrega simbolismos de poder, luxo, criatividade e mistério, ecoando séculos de uso reservado às elites e à autoridade real
Com a chegada da Revolução Industrial, as técnicas para obtenção de pigmentos foram sendo aprimoradas, facilitando o acesso a uma gama de cores, inclusive o roxo. Os corantes a base de carvão marcaram o nascimento da indústria de corantes sintéticos no século 19, e uma das primeiras cores feitas a partir do processo químico foi a malva — tonalidade que pertence à faixa do violeta e magenta.
Mesmo após ser barateado no século 19, manteve o status aristocrático
Apesar de menos exclusiva, a cor manteve seu prestígio até meados do Renascimento, quando se tornou um pigmento frequentemente usado pela Igreja Católica nos trajes do clero de alta patente. Assim, consolidando mais uma conotação para a cor roxa: além de riqueza, se tornou um símbolo de poder espiritual.
Mantos e coroas medievais incluíam roxo para mostrar poder divino
O roxo era associado ao luxo extremo antes das tinturas industriais
Nas décadas de 1980 e 1990, a esposa do herdeiro do torno britânico príncipe Charles, a princesa Diana, usou uma variedade de looks roxos. Seu guarda-roupa incluiu vestidos, tricôs e saias que iam desde o lilás até o roxo mais pigmentado. A escolha do tom estava diretamente relacionada ao seu status dentro da Família Real. A rainha Elizabeth II também se destacou por visuais monocromáticos da mesma cor, transmitindo elegância e poder.
Lady Di com conjunto monocromático
Rainha Elizabeth II usando roxo
Diana Spencer aos 19 anos
A cor era usada como símbolo de poder
Princesa Diana usando saia roxa
Cor da luta feminina por direitos iguais
Com o passar do tempo, a cor roxa foi ganhando conotações relacionadas ao gênero feminino. Em meados do século 19, o movimento sufragista trouxe uma nova simbologia para o roxo: o da luta pelos direitos das mulheres.
Até hoje, a cor roxa é associada ao feminismo, sendo retomado por movimentos contemporâneos que reivindicam igualdade de gênero
O uso da cor roxa também foi uma estratégia de comunicação: cores marcantes ajudavam a chamar atenção da imprensa e do público
O movimento sufragista feminino ganhou força no final do século 19 e início do século 20, reivindicando o direito ao voto para as mulheres
As cores tiveram um papel importante para as mulheres que fizeram parte do movimento, não somente por questões indumentárias, mas pelo reforço visual que servia para destacar as aliadas à primeira onda do feminismo. Apesar do branco ter sido a principal cor associada às mulheres que foram para as ruas lutar pelo direito ao voto feminino, o pigmento se fez presente em cartazes, faixas e broches. As sufragistas britânicas, por exemplo, optaram pelas cores roxo, branco e verde. Já as americanas, pelo roxo, branco e dourado.
As sufragistas, especialmente as do Women’s Social and Political Union (WSPU) no Reino Unido, adotaram um esquema oficial de cores: roxo, branco e verde
Em eventos, protestos e nas roupas, as sufragistas usavam faixas e acessórios da cor roxa para reforçar sua união
A escolha da cor ajudou a criar uma identidade visual forte e facilmente reconhecível nas marchas, panfletos e broches
Em 2021, Kamala Harris escolheu a cor roxa para marcar outro momento político na história: ela se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos. Kamala também foi a primeira pessoa afrodescendente e sul-asiática a ocupar o posto em um dos países mais poderosos do mundo. Seu look para a ocasião foi composto por um vestido, de Sergio Hudson, e sobretudo, de Christopher John Rogers, monocromáticos.
Kamala Harris foi a primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos
Harris apostou em look monocromático
Para a ocasião, Kamala vestiu criações de estilistas negros
Marchas e campanhas feministas do século 21 — como a Marcha das Mulheres, o 8M, o movimento Ni Una Menos e protestos por igualdade salarial, direitos reprodutivos e combate à violência — adotam o roxo como cor oficial. Isso facilita a identificação imediata das pautas no espaço público e nas redes sociais, onde a estética tem papel estratégico para viralização e engajamento.
Confira looks roxos que marcaram os tapetes vermelhos recentemente:
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Michelle Monaghan
Gilbert Flores/Variety via Getty Images
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Mia Goth
Mike Marsland/WireImage via Getty Images
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Lucy Liu
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Ashley Park
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Lauren McQueen
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Karen Ponce
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Jenna Ortega
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