
Ilca Maria EstevãoColunas

Sombra azul: entenda o simbolismo do item de maquiagem no look
Ao longo da história, a sombra azul foi usada como ferramenta de protagonismo e ousadia femininos
atualizado
Compartilhar notícia

A sombra azul na maquiagem carrega um simbolismo que vai além da estética: ela pode ser lida como um ato de afirmação, ousadia e liberdade feminina. Ao longo da história, foi associada a momentos de ruptura e experimentação, sendo frequentemente adotada por mulheres que buscavam se firmar como protagonistas da própria vida e desafiar normas visuais conservadoras.
Vem entender!

Pioneiras
Em 1958, a sombra azul fez parte da caracterização da primeira boneca Barbie, criada pela empresária americana Ruth Handler. Com maiô listrado preto e branco, cabelo loiro e delineado bem marcado, a boneca tornou-se a mais popular do mundo e um símbolo de independência feminina.

Quatro anos depois, em 1963, o longa-metragem Cleópatra colocou a sombra azul em evidência novamente: a protagonista Elizabeth Taylor foi responsável por um dos looks mais icônicos do cinema. Devido a um problema de saúde, o maquiador italiano Alberto De Ross não pôde estar presente no set de filmagens e a atriz teve que fazer sua própria maquiagem, acrescentando a sombra azul à sua caracterização.

No ano seguinte, o artista plástico Andy Warhol lançou sua clássica serigrafia de Marilyn Monroe com as pálpebras pintadas de azul vibrante. A obra faz parte da série Shot Marilyns, que contém cinco imagens da atriz. O uso do pigmento foi pensado como crítica à forma que a sociedade esperava que mulheres se comportassem e às pressões estéticas da época.

Na década de 1970, a cantora Dolly Parton se consolidou no cenário musical do estilo country. Além dos penteados volumosos que marcaram a aparência clássica de Parton, sua maquiagem também se destacou, tornando-se referência até os dias de hoje com o olhar marcante de sombra azul, cílios volumosos, blush bem pigmentado e batom vermelho.


Década de 1990
A supermodelo Kate Moss dominou os looks com sombra azul nas passarelas e fora delas. Um dos destaques da maquiagem foi durante o desfile de primavera/verão da grife italiana Gucci no ano de 1996, em que modelou trajes assinados pelo estilista Tom Ford.


No filme Buffalo ’66, dirigido por Vincent Gallo no ano de 1998, a personagem Layla foi caracterizada para sugerir um “olhar inocente e sonhador”, ao mesmo tempo em que sua maquiagem simbolizava uma garota em seu mundo próprio. A diretora de beleza Gucci Westman afirmou ter usado a tonalidade de sombra azul-bebê da marca Maybelline.

Anos 2000
Nos anos 2000, celebridades como Paris Hilton, Rihanna e Britney Spears voltaram a explorar os tons de azul nas pálpebras, variando entre icy-blue, turquesa, celeste, petróleo e royal, além da adição de glitter em ocasiões como festas e tapetes vermelhos. Durante a década, as divas pop estavam em ascensão e, ao mesmo tempo, passando por uma transição para o status de it girls. Optar por um olhar marcante era sinônimo de ousadia e empoderamento, simbolizando autenticidade e liberdade.



A cantora Aaliyah inspirou fãs à adotarem a sombra azul, deixando o famoso smokey eye de lado — tendência de maquiagem em alta na época — após o lançamento do clipe Try Again, em que apareceu usando o look. A crescente popularidade do R&B no cenário musical da década também foi responsável por influenciar o universo da moda, com tendências de beleza e estilo.


Confira o clipe:
Sombra azul segue influenciando artistas contemporâneas
Nos dias atuais, o pigmento se mantém presente no estilo de artistas como Chappell Roan, Sabrina Carpenter, Taylor Swift e Miley Cyrus. E, mesmo com a crescente quantidade de modismos passageiros e diferentes abordagens e interpretações de tendências que deram certo no passado, a sombra azul mantém seu significado essencial: ousadia, liberdade e personalidade.
A cantora e compositora Kayleigh Rose Amstutz explora sua individualidade dentro da cultura pop com a persona drag Chappell Roan. No Grammy Awards deste ano, foi reconhecida com o prêmio de Artista Revelação após conquistar o público com o álbum The Rise and Fall of a Midwest Princess. No projeto, a cantora utilizou diferentes tonalidades de sombras azuis como uma das técnicas para celebrar a história da cultura drag.








Presença no audiovisual contemporâneo
A série americana Euphoria, criada por Sam Levinson, se destacou entre o público pela temática abordada no roteiro, e, mais do que isso, pelo estética desenvolvida especialmente para seu universo narrativo. O figurino e a maquiagem foram amplamente elogiados, além de influenciar o estilo e as tendências de beleza de 2019.
Na série, a maquiagem é pensada como uma extensão dos personagens e suas respectivas personalidades. Para a maquiadora responsável pelos looks da série, Doniella Davy, o azul bebê é a cor assinatura de Cassie Howard. Frequentemente vista pelo olhar masculino com delicadeza e, até mesmo, uma certa infantilidade, as sombras azuis aparecem em diferentes variações durante as duas temporadas da série.

No caso de Maddy Perez, uma das personagens principais no seriado, a experimentação com o azul vai para uma zona mais afiada e ousada. Sua personalidade forte é traduzida em delineados finos e pontudos, pedrarias e cores fortes, como o azul cobalto.


Já no universo cinematográfico, a maquiagem azul aparece recheada de significados no filme de terror X – A Marca da Morte, dirigido por Ti West. Lançado em 2022 como a primeira parte da trilogia homônima, o filme acompanha a história da personagem Maxine Minx — uma aspirante à atriz que vê nos filmes pornográficos uma porta de entrada para a carreira que almeja.

Em grande parte da narrativa, Maxine aparece usando um macacão jeans e sombra azul nos olhos. O look da personagem se tornou uma das fantasias mais procuradas durante as celebrações de Halloween, e, o filtro que simula sua maquiagem se tornou um dos mais usados no Tik Tok. A escolha da cor para os olhos simboliza o desejo e a ambição de Maxine em conseguir um papel na indústria cinematográfica.


















