
Ilca Maria EstevãoColunas

O debate nas artes gerado pelo “preto mais escuro do mundo”
Conhecido como “o preto mais escuro do mundo”, o Vantablack se tornou alvo de debates sobre monopólio e domínio de recursos nas artes
atualizado
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Criado em 2014, o pigmento conhecido como Vantablack se tornou conhecido por deixar os objetos com uma aparência de “buraco negro”, recebendo o título de “o preto mais escuro do mundo”. Por estar sob a exclusividade de um único artista, o Vantablack acaba sendo de difícil acesso. Além disso, a cor tem reacendido o debate sobre a democratização das artes.
Vem saber sobre esse caso!

A história do Vantablack
Tudo iniciou quando a empresa britânica Surrey NanoSystems criou um pigmento que absorve quase 100% da luz visível, causando um efeito semelhante a “burraco negro” nos materiais. Criado inicialmente para aplicações militares e aeroespaciais, o Vantablack foi lançado em julho de 2014, no Reino Unido, em um evento da indústria aeroespacial mundial.
O nome Vantablack vem da expressão Vertically Aligned NanoTube Arrays (matrizes de nanotubos alinhados verticalmente, em tradução livre). Sua formulação ocorre a partir da nanotecnologia composta por milhões de nanotubos de carbono microscópicos que conseguem aprisionar praticamente toda a luz quando entra em contato com a superfície.
Junto à tecnologia envolvida, o Vantablack funciona com equipamentos específicos para conseguir pigmentar nas superfícies.

Vantablack e a democratização nas artes
A peculiaridade do Vantablack chamou a atenção de vários artistas, em especial do indo-britânico Anish Kapoor, que em 2016 assinou um acordo de exclusividade com a Surrey NanoSystems, tornando-se o único artista autorizado a usar o pigmento.
A notícia foi recebida com receio por muitos artistas, que consideraram a ação como um controle em relação a um avanço visual que deveria ser acessível. O caso aumentou debates sobre a posse de certos recursos, especialmente dos ligados à arte.

O movimento de Kapoor abriu espaço para uma rivalidade no meio artístico. Como resposta à situação, o artista também britânico Stuart Semple lançou o pigmento chamado PINK em 2016. Semple descreveu a cor como o “rosa mais rosa do mundo” e a tornou acessível para todos, desde que uma condição fosse aceita para todos que quisessem comprá-la: confirmar que não era Anish Kapoor e que não estava comprando em nome dele.

Assim, Sample iniciou uma tendência de criar pigmentos com propagandas como “o verde mais verde”, “o glitter mais brilhante”, junto com diferentes versões de tintas pretas, que causavam um efeito semelhante ao Vantablack. A iniciativa se tornou uma forma de criticar a atitude de Kapoor, além de protestar contra a monopolização da arte.
Casos de direitos autorais fazem parte do universo das cores, alguns exemplos são o Azul Tiffany, que se tornou propriedade da grife Tiffany & Co., e o Azul Klein, que foi desenvolvido pelo artista Yves Klein nos anos 1950. Entretanto, a situação do Vantablack transcende a ideia de proteção da autoria, ela envolve também o monopólio sobre uma nova tecnologia: a absorção luminosa de forma total.








