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Copa do Mundo 2026Ilca Maria Estevão

Joias em campo: o visual do futebol antes do veto da Fifa

Antes da proibição, em 2004, joias faziam parte do visual dos jogadores em campo; entenda a história da regra e sua flexibilização em 2026

Michael Kunkel/Bongarts/Getty Images
Maradona

A proibição do uso de joias em campo foi incorporada às Leis do Jogo pela Fifa e pela International Football Association Board (IFAB) na edição de 2004 da Copa do Mundo. Colares, anéis, pulseiras e brincos estão na lista de itens proibidos, e nem mesmo cobri-los com fita adesiva era permitido. A lógica por trás da regra é estritamente de segurança, pois o risco de ferimentos foi suficiente para tirar de campo um hábito que, até então, era corriqueiro e fazia parte da personalidade dos jogadores.

Vem entender!

Ronaldinho
Colares de Ronaldinho eram icônicos

Personalidade fora do padrão

Antes do regulamento, era justamente nos acessórios que a personalidade dos atletas escapava ao padrão do uniforme. Maradona e Romário estão entre os pioneiros do gesto, em uma época em que usar brinco ainda colocava a masculinidade em xeque e, mesmo assim, os dois adotaram o acessório sem se intimidar, geralmente no modelo clássico de argola com pingente de crucifixo de ouro. No caso de Maradona, a argola usada em apenas uma das orelhas virou parte de sua assinatura visual, tão reconhecível quanto a camisa 10.

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Goleiro da França Joël Bats na Copa de 1986
Maradona na Copa de 1994
Goleiro da Itália Dino Zoff na Copa de1982
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Goleiro da Itália Dino Zoff na Copa de1982

SVEN SIMON/picture alliance via Getty Images)
Goleiro da França Joël Bats na Copa de 1986
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Goleiro da França Joël Bats na Copa de 1986

David Cannon/Allsport/Getty Images)
Maradona na Copa de 1994
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Maradona na Copa de 1994

Richard Sellers/Sportsphoto/Allstar via Getty Images

A febre dos anos 1990

Se Maradona e Romário abriram caminho, foram Ronaldinho e David Beckham que transformaram o hábito em fenômeno e sinônimo de estilo. Os dois, verdadeiros formadores de tendência dentro e fora de campo, deram início a uma onda de brincos, em variados formatos e quilates, que se espalhou entre outros jogadores mundo afora. Beckham, em especial, ficou marcado pelo par de brincos de diamante usado durante a Copa do Mundo de 2002.

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David Beckham
David Beckham em 2002

Correntes com medalhas de santos e crucifixos, comuns sobretudo entre atletas latino-americanos, funcionavam como uma espécie de proteção espiritual antes de entrar em campo. Em outras culturas, o mesmo impulso tomava formas diferentes: no futebol africano, amuletos também eram usados pelos jogadores em busca de proteção. Não se tratava apenas de estilo, mas de um gesto de fé e pertencimento cultural, algo que o uniforme, por mais imponente que fosse, não tinha como carregar sozinho.

Dino Baggio da Itália na Copa de 1998

O estilo migrou

Com a proibição da Fifa, esses símbolos foram empurrados para fora das quatro linhas, reservados a coletivas, treinos e aparições públicas. Dentro de campo, porém, a necessidade de expressão pessoal não desapareceu. Hoje, é nos cortes de cabelo, no design das chuteiras, nas tatuagens e em acessórios de cabelo que essa individualidade sobrevive, provando que, regra ou não, o futebol sempre vai encontrar uma forma de deixar a personalidade escapar do padrão.

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Moicano de Neymar marcou uma geração
Paul Pogba demonstrou como os cortes de cabelo podem transmitir mensagens
Os coques e prendedores de cabelo de Haaland chamaram atenção na Copa 2026
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Os coques e prendedores de cabelo de Haaland chamaram atenção na Copa 2026

James Gill - Danehouse/Getty Images
Moicano de Neymar marcou uma geração
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Moicano de Neymar marcou uma geração

Tim Clayton/Corbis via Getty Images
Paul Pogba demonstrou como os cortes de cabelo podem transmitir mensagens
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Paul Pogba demonstrou como os cortes de cabelo podem transmitir mensagens

obin Jones - AFC Bournemouth/AFC Bournemouth via Getty Images

Outras manifestações seguem como forma de expressão em campo. Uma que chamou a atenção recentemente é a “aliança” feita de esparadrapo pelo jogador brasileiro Endrick, que, ao não poder usar sua aliança de verdade, o faz para simbolizar seu casamento com Gabriely Miranda.

Endrick
Endrick representa seu casamento com aliança de esparadrapo

Flexibilização

A partir de 1º de julho de 2026, a própria IFAB revisitou essa lógica. A nova versão da Regra 4 flexibiliza o uso de acessórios em campo, desde que não representem risco de lesão e estejam devidamente cobertos ou protegidos. A mudança reconhece necessidades médicas, religiosas e culturais que a proibição de 2004, pensada apenas sob a ótica da segurança, não previa.

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Walter Zenga da Itália na Copa de 1990
Jorge Valdano da Argentina na Copa de 1986
Kevin Keegan da Inglaterra em 1976
Ulrich Van Gobbel da Holanda na Copa de 1994
Alain Sutter da Suíça na Copa de 1994
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Alain Sutter da Suíça na Copa de 1994

Mark Leech/Getty Images)
Walter Zenga da Itália na Copa de 1990
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Walter Zenga da Itália na Copa de 1990

Mark Leech/Offside/Getty Images
Jorge Valdano da Argentina na Copa de 1986
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Jorge Valdano da Argentina na Copa de 1986

Kevin Keegan da Inglaterra em 1976
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Kevin Keegan da Inglaterra em 1976

Don Morley/Allsport/Getty Images
Ulrich Van Gobbel da Holanda na Copa de 1994
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Ulrich Van Gobbel da Holanda na Copa de 1994

Richard Sellers/Sportsphoto/Allstar via Getty Images