
Joias em campo: o visual do futebol antes do veto da Fifa
Antes da proibição, em 2004, joias faziam parte do visual dos jogadores em campo; entenda a história da regra e sua flexibilização em 2026

A proibição do uso de joias em campo foi incorporada às Leis do Jogo pela Fifa e pela International Football Association Board (IFAB) na edição de 2004 da Copa do Mundo. Colares, anéis, pulseiras e brincos estão na lista de itens proibidos, e nem mesmo cobri-los com fita adesiva era permitido. A lógica por trás da regra é estritamente de segurança, pois o risco de ferimentos foi suficiente para tirar de campo um hábito que, até então, era corriqueiro e fazia parte da personalidade dos jogadores.
Vem entender!

Personalidade fora do padrão
Antes do regulamento, era justamente nos acessórios que a personalidade dos atletas escapava ao padrão do uniforme. Maradona e Romário estão entre os pioneiros do gesto, em uma época em que usar brinco ainda colocava a masculinidade em xeque e, mesmo assim, os dois adotaram o acessório sem se intimidar, geralmente no modelo clássico de argola com pingente de crucifixo de ouro. No caso de Maradona, a argola usada em apenas uma das orelhas virou parte de sua assinatura visual, tão reconhecível quanto a camisa 10.
A febre dos anos 1990
Se Maradona e Romário abriram caminho, foram Ronaldinho e David Beckham que transformaram o hábito em fenômeno e sinônimo de estilo. Os dois, verdadeiros formadores de tendência dentro e fora de campo, deram início a uma onda de brincos, em variados formatos e quilates, que se espalhou entre outros jogadores mundo afora. Beckham, em especial, ficou marcado pelo par de brincos de diamante usado durante a Copa do Mundo de 2002.
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Correntes com medalhas de santos e crucifixos, comuns sobretudo entre atletas latino-americanos, funcionavam como uma espécie de proteção espiritual antes de entrar em campo. Em outras culturas, o mesmo impulso tomava formas diferentes: no futebol africano, amuletos também eram usados pelos jogadores em busca de proteção. Não se tratava apenas de estilo, mas de um gesto de fé e pertencimento cultural, algo que o uniforme, por mais imponente que fosse, não tinha como carregar sozinho.

O estilo migrou
Com a proibição da Fifa, esses símbolos foram empurrados para fora das quatro linhas, reservados a coletivas, treinos e aparições públicas. Dentro de campo, porém, a necessidade de expressão pessoal não desapareceu. Hoje, é nos cortes de cabelo, no design das chuteiras, nas tatuagens e em acessórios de cabelo que essa individualidade sobrevive, provando que, regra ou não, o futebol sempre vai encontrar uma forma de deixar a personalidade escapar do padrão.
Outras manifestações seguem como forma de expressão em campo. Uma que chamou a atenção recentemente é a “aliança” feita de esparadrapo pelo jogador brasileiro Endrick, que, ao não poder usar sua aliança de verdade, o faz para simbolizar seu casamento com Gabriely Miranda.

Flexibilização
A partir de 1º de julho de 2026, a própria IFAB revisitou essa lógica. A nova versão da Regra 4 flexibiliza o uso de acessórios em campo, desde que não representem risco de lesão e estejam devidamente cobertos ou protegidos. A mudança reconhece necessidades médicas, religiosas e culturais que a proibição de 2004, pensada apenas sob a ótica da segurança, não previa.

























