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Ilca Maria Estevão

Dior leva chita indiana e escultura de Lynda Benglis à Alta-Costura

Jonathan Anderson apresentou coleção de Alta-Costura Outono-Inverno 2026-2027 da Dior com referências à Índia e Lynda Benglis

06/07/2026 19:46, atualizado 06/07/2026 20:20
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Victor VIRGILE/Gamma-Rapho via Getty Images
Dior leva chita indiana e escultura de Lynda Benglis à Alta-Costura

O efeito plissado e as técnicas manuais roubaram a cena no desfile de Alta-Costura da Dior, realizado nesta segunda-feira (6/7), durante a Paris Fashion Week. A principal inspiração da coleção foi a obra da escultora americana Lynda Benglis, conhecida por explorar a transformação da matéria em suas criações.

Em muitas delas, superfícies bidimensionais ganham volume por meio de amarrações, moldagens e dobras. A relação da artista com a Índia também influenciou a coleção, levando Jonathan Anderson a incorporar ao desfile as técnicas e as tradições artesanais do país.

Vem entender!

Vestido plissado foi destaque

O desfile

Em meio a uma nova onda de calor em Paris, com temperaturas acima dos 30°C, o desfile foi realizado nos jardins do Museu Rodin. Para amenizar o calor, a Dior distribuiu leques aos convidados, entre eles Sabrina Carpenter, Josh O’Connor, Priyanka Chopra, Nick Jonas, Naomi Watts, Rebecca Ferguson e Alexa Chung.

Como manda a tradição da alta-costura, a apresentação foi encerrada com um vestido de noiva.

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Área externa do Museu Rodin, em Paris, que sediou o desfile
Samambaias decoravam a passarela
Anna Wintour, Baz Luhrmann e Sabrina Carpenter no desfile
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Anna Wintour, Baz Luhrmann e Sabrina Carpenter no desfile

Swan Gallet/WWD via Getty Images
Área externa do Museu Rodin, em Paris, que sediou o desfile
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Área externa do Museu Rodin, em Paris, que sediou o desfile

Nickelsberg/Getty Images)
Samambaias decoravam a passarela
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Samambaias decoravam a passarela

Victor VIRGILE/Getty Images

A expectativa em torno do desfile aumentou ainda mais após a escolha de figurinos feita por Taylor Swift e Travis Kelce para o casamento, realizado na última sexta-feira (3/7), em Nova York. Os dois usaram looks assinados por Jonathan Anderson para a Dior, e, embora as imagens da cerimônia ainda não tenham sido divulgadas, a decisão movimentou as conversas em torno da maison.

Como de costume, vestido de noiva fechou o desfile

Efeito plissado

Pregas de diferentes tamanhos, aplicadas a tecidos diversos, criaram caimentos e volumes que mudavam a cada movimento das modelos na passarela. O recurso conferiu um aspecto quase escultórico às peças, em sintonia com a pesquisa visual de Lynda Benglis.

O plissado foi feito manualmente e aplicado a materiais como lamê, couro, cetim de seda, denim e tule

A plissagem consiste em dobrar o tecido de forma controlada para criar pregas permanentes ou temporárias, que modificam sua estrutura e conferem volume às peças. Utilizada há séculos na moda, a técnica evoluiu com os processos industriais e os materiais sintéticos, ampliando as possibilidades de criação e permitindo construções cada vez mais complexas.

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Capa em plissado
O plissado dá movimento à saia
Laços combinados ao plissado
As técnicas de plissado foram aplicas até em bolsas
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As técnicas de plissado foram aplicas até em bolsas

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Capa em plissado
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Capa em plissado

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O plissado dá movimento à saia
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O plissado dá movimento à saia

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Laços combinados ao plissado
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Laços combinados ao plissado

Estrop/Getty Images

Um dos principais responsáveis por essa evolução foi o estilista japonês Issey Miyake. A partir dos anos 1990, ele revolucionou a técnica ao inverter o processo tradicional: em vez de plissar o tecido antes da confecção, desenvolveu um método em que as peças eram cortadas e costuradas em dimensões ampliadas para só então receber calor e pressão, formando pregas permanentes.

Embora Jonathan Anderson não faça uma referência direta ao trabalho de Miyake, a coleção dialoga com esse legado ao explorar a plissagem como elemento estrutural, e não apenas decorativo. Na alta-costura da Dior, as pregas ajudam a construir volumes e silhuetas que remetem à investigação de Lynda Benglis sobre dobra, matéria e transformação.

A chita

A tradição artesanal da Índia também ocupa um papel central na coleção, especialmente por meio das chitas indianas do século 18. Produzidos em algodão, esses tecidos eram finamente confeccionados, pintados à mão ou estampados com blocos de madeira, geralmente com motivos botânicos e cores vibrantes. Entre os séculos 16 e 18, as chitas indianas conquistaram o mercado europeu e passaram a influenciar as artes decorativas e a moda ocidental.

Jaqueta e xale em chita, saia em algodão estampado envernizado, de 1770–1800, expostos no MoMu – Museu da Moda da Província de Antuérpia

No Brasil, a chita chegou pelas mãos dos portugueses e, ao longo do século 19, passou a fazer parte do vestuário e da decoração, tornando-se um dos símbolos da cultura popular. Presente em diferentes camadas sociais, o tecido ficou associado ao artesanato, à exuberância das estampas e à valorização do trabalho manual, elementos que dialogam diretamente com a proposta apresentada por Jonathan Anderson.

Painel indiano de Chita do Século 18

A inspiração indiana também está ligada à trajetória de Lynda Benglis. A artista viveu em Ahmedabad, no estado de Gujarat, experiência que deu origem à série Peacock, iniciada no fim dos anos 1970 a partir dos pavões que observava na região. No desfile da Dior, essa referência aparece em bordados, miçangas coloridas e aplicações orgânicas. Fragmentos antigos de chita e indiennes, garimpados com um revendedor especializado, foram incorporados às bolsas Lady Dior Mini e Petit Dîner.

Lynda Benglis, Zanzidae: Série Peacock, 1979

Ahmedabad também abriu uma segunda frente de pesquisa para Jonathan Anderson. O estilista colocou a exuberância da paisagem indiana em contraste com a atmosfera árida e a luminosidade de Santa Fé, no Novo México, onde Benglis mantém casa e ateliê. Essa dualidade aparece nas estampas e na cartela de cores da coleção, marcada por tons de cinza, branco e prata, com pontos de verde e azul.

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Aplicações nas bolsas
Aplicações nas bolsas
Aplicações nas bolsas
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Aplicações nas bolsas

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Aplicações nas bolsas
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Aplicações nas bolsas

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Aplicações nas bolsas

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Aplicações nas bolsas
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Aplicações nas bolsas

Victor VIRGILE/Gamma-Rapho via Getty Images

Referências da natureza e da maison

A retomada de elementos recorrentes na trajetória de Jonathan Anderson faz parte da linguagem criativa do estilista. Nesta coleção, fauna e flora voltam a ocupar espaço central.

As referências botânicas aparecem nos sapatos e nos maxi leques — grandes estruturas de tule azul posicionadas à frente de um dos vestidos. Acabamentos metalizados surgem em diferentes propostas, enquanto as bolsas esculturais inspiradas em animais retornam à passarela. Entre elas, um modelo em formato de tatu faz referência à escultura Scarab (1990), de Lynda Benglis.

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Dior outono/inverno 2026-2027
Desfile anterior da Dior outono/inverno 2026-2027
Bolsa em formato de tatu
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Bolsa em formato de tatu

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Dior outono/inverno 2026-2027
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Dior outono/inverno 2026-2027

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Desfile anterior da Dior outono/inverno 2026-2027
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Desfile anterior da Dior outono/inverno 2026-2027

Victor VIRGILE/Gamma-Rapho via Getty Images

Símbolo máximo da Dior desde 1947, o Bar jacket (blazer de silhueta arquitetônica criado por Christian Dior) continua sendo uma das principais peças de investigação de Anderson na maison.

Desde sua chegada à grife, o designer revisita o modelo por meio de novas proporções, versões cropped, tecidos como o tweed Donegal e detalhes escultóricos, sem abandonar a cintura marcada que o transformou em um ícone da Dior. Na alta-costura, o casaco reaparece em tweed verde com barra desfiada e em tricô cinza espinha-de-peixe, finalizado por um grande laço que reforça a exploração de volume e construção que atravessa o desfile.

Bar jacket é novamente revisitada