com Rebeca Ligabue, Hebert Madeira e Sabrina Pessoa

Califórnia é o primeiro estado dos EUA a abolir venda de peles

A exemplo do que já ocorria em Los Angeles e São Francisco, território multará em até US$ 1 mil pessoas e marcas que violarem a regra

atualizado 18/10/2019 19:11

Jamie McCarthy/Getty Images for Yeezy Season 3

A Califórnia é o primeiro estado norte-americano a proibir a venda e fabricação de produtos de pele. Um projeto de lei assinado pelo governador Gavin Newson no último sábado (12/10/2019) determina multa de até US$ 1 mil para quem violar a regra, válida a partir de 2023. No entanto, uma brecha na legislatura anula seu efeito em algumas ocasiões.

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O movimento fur free, que prevê o fim do uso de peles animais na indústria têxtil, ganha mais força a cada temporada. Grifes como Chanel, Gucci, Versace, Prada, Burberry, Jean-Paul Gaultier e Miu Miu já eliminaram o uso do material em suas criações, enquanto a Semana de Moda de Londres passou a permitir apenas versões sintéticas nas passarelas do evento.

Até mesmo Kim Kardashian resolveu dar seu apoio à causa. A magnata da beleza substituiu todos os seus casacos de pele por réplicas em fake fur, em um gesto amplamente comemorado pelos ativistas americanos.

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Kim sempre foi grande fã das peles

 

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Estrela tinha uma coleção em seu closet

 

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Mas substituiu tudo por réplicas em fake fur

 

Agora, com a lei assinada por Gavin, o fim da venda e fabricação de produtos de pele transcende as barreiras de Los Angeles e São Francisco, que já haviam proibido a prática, chegando a todo o estado da Califórnia.

“A Califórnia é líder no que diz respeito ao bem-estar animal, e hoje essa liderança inclui a proibição da venda de peles”, afirmou Newsom em comunicado.

Há, contudo, algumas exceções. A lei não se aplica a nenhuma prática religiosa e exclui a venda de peles de cachorro, gato, vaca, veado, ovelha e cabra, bem como qualquer item preservado por taxidermia.

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Gavin Newson lançou pacote de medidas contra a crueldade animal

 

Ainda assim, a legislação pode ter um impacto significativo na indústria de peles, que faturou US$ 1,5 bilhão nos EUA apenas em 2014, de acordo com os dados mais recentes do Fur Information Council.

Tal organização, inclusive, tem contestado a proposta do governo da Califórnia vigorosamente. Ela garante que a lei irá gerar um mercado negro, algo que agravará o problema relacionado à crueldade animal. Além disso, o conselho afirma que as peles falsas não são opções renováveis ou sustentáveis.

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Algumas celebridades, como o rapper Safaree Samuels, também condenam o movimento free fur

 

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Para nomes como Cardi B, a proibição chega em um momento onde a comunidade negra tem poder aquisitivo suficiente para comprar peles, algo intragável pelo ponto de vista caucasiano

 

O veto chega junto a uma outra norma, que prevê o fim do uso de animais em circos. “Mais do que isso, estamos declarando ao mundo que os animais selvagens, como ursos e tigres, não têm lugar em cordas bambas e círculos em chamas”, concluiu o governador.

O pacote de medidas agradou as instituições e ativistas que lutam em prol dos direitos dos animais.

“A medida ressalta o fato de que os consumidores de hoje simplesmente não querem que os animais sofram extrema dor e medo por causa da moda. Espera-se que mais cidades e estados sigam o exemplo da Califórnia e que as poucas marcas e varejistas que ainda vendem peles examinem mais de perto as alternativas inovadoras que não envolvem crueldade”, disse Kitty Block, CEO e presidente da Humane Society, em comunicado.

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A Prada foi uma das grifes que aderiram ao movimento recentemente

 

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A Burberry passou a produzir réplicas sintéticas de pele animal

 

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A venda e a produção de itens feitos com pele podem ser proibidas em Nova York

 

Espera-se que a próxima cidade a endossar o movimento free fur seja Nova York. Membro da Assembleia do Estado, Linda Rosenthal apresentou um projeto que pede o fim da venda e produção de pele animal em toda a região até 2021. Na proposta, a política afirma que tal mercado é incompatível com os direitos dos bichos.

 

Colaborou Danillo Costa

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