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Ilca Maria Estevão

Calado reverencia fiandeiras de Urucuia na 3ª noite do Metrópoles Catwalk

O desfile da Calado foi aberto por fiandeiras, que carregaram suas rodas de fiar enquanto entoavam cantos tradicionais

17/09/2026 12:37, atualizado 17/09/2026 12:38
Wey Alves/Metrópoles
Calado reverencia fiandeiras de Urucuia na 3ª noite do Metrópoles Catwalk

Emocionando toda a plateia do Metrópoles Catwalk, o desfile da Calado, na noite dessa quarta-feira (16/9), na Arena Mané Garrincha, teve como um dos destaques uma apresentação musical de fiandeiras da Urucuia/Grande Sertão Veredas — região de Minas Gerais que fornece parte da matéria-prima têxtil da marca.

Vem comigo saber mais!

Apresentação de fiandeiras emocionou no terceiro dia do Metrópoles Catwalk

Fiandeiras emocionam o público ao exaltar o “feito à mão”

As fiandeiras integram a Urucuia Grande Sertão Veredas, associação que reúne cerca de 150 artesãs distribuídas em oito núcleos de produção, espalhados por oito municípios mineiros.

O coletivo é responsável por regulamentar, controlar e proteger o trabalho das artesãs, promovendo a valorização, o desenvolvimento sustentável e a promoção do artesanato da região.

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“Aqui, esculpimos o buriti, plantamos o algodão, colhemos, fiamos, tingimos, tecemos e bordamos, em uma incansável missão de resgatar, preservar e perpetuar os nossos saberes ancestrais”, resume a associação sobre o próprio trabalho.

Maria da Gloria, Emilia Gomes, Diva Maria Santos, Maria Nadir Mendes, Maria Dalia Rodrigues e Sebastiana Silva

Ao abrirem a passarela, as fiandeiras entraram carregando as rocas utilizadas no processo de transformar fibras brutas, como lã, algodão, linho e seda, em fios contínuos e resistentes. Durante o percurso, entoaram cantigas relacionadas ao próprio ofício manual, trazendo para a passarela não apenas os instrumentos de trabalho, mas também parte da tradição que acompanha essa prática.

A apresentação envolveu o público e deu ao desfile um tom de celebração à memória, à cultura e ao artesanal brasileiro.

O artesanato local está conectado a ofícios e saberes tradicionais atrelados às cadeias do algodão, dos bordados e do buriti

É esse algodão fiado à mão que a Calado incorpora às peças. AAté a linha de costura, antes feita de poliéster e nylon, foi substituída por uma versão 100% de algodão nacional — em sintonia com as dez regras inegociáveis da casa: nenhum animal é morto para virar roupa; materiais sintéticos ou reciclados não entram na produção; tudo precisa ser biodegradável; cada fornecedor deve apresentar certificação ou laudo; e a marca lança apenas duas coleções por ano, fora do calendário tradicional das estações.

Os produtos são inspirados em cantigas, danças e folias, além da religiosidade

Luxo, para mim, é saber de onde vem cada fio. O pirarucu é resíduo da alimentação amazônica, o algodão já nasce colorido na Paraíba e a nossa linha é 100% de algodão nacional. O couro de micélio que usamos se degrada na natureza sem agredi-la, se integrando no ciclo da vida. Quando a origem e o ciclo de vida da peça é pensado, a roupa deixa de ser descartável e vira companhia para a vida toda, sendo vanguarda daqui 10, 20 ou mesmo 50 anos, atemporal”, afirma Sérgio, à frente da Calado.

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Volume na saia
Modelos desfilaram com girassóis
Colete em formato de cauda de peixe
Tecidos leves
Recortes retos
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Recortes retos

Eduardo Iff/Especial para o Metrópoles
Volume na saia
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Volume na saia

Eduardo Iff/Especial para o Metrópoles
Modelos desfilaram com girassóis
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Modelos desfilaram com girassóis

Eduardo Iff/Especial para o Metrópoles
Colete em formato de cauda de peixe
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Colete em formato de cauda de peixe

Eduardo Iff/Especial para o Metrópoles
Tecidos leves
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Tecidos leves

Eduardo Iff/Especial para o Metrópoles

Ao colocar as fiandeiras no centro da apresentação, a Calado também chama atenção para as pessoas que estão por trás da produção têxtil e para as histórias que acompanham cada etapa desse processo.

Existe um trabalho essencialmente humano, construído a partir de conhecimentos, técnicas e mãos que, muitas vezes, permanecem invisíveis aos consumidores. Dar visibilidade a esses profissionais é uma forma de reconhecer o valor do artesanal e ampliar o olhar sobre a cadeia da moda, valorizando quem participa de sua construção do início ao fim.

Rodas de fiar

Metrópoles Catwalk

O Metrópoles Catwalk chega à terceira edição, diretamente da Arena Mané Garrincha, no centro de Brasília. O evento reúne mais de 30 marcas no line-up e conta com modelos e celebridades de destaque na passarela.

Nos primeiros dias, desfilaram nomes como Yasmin Brunet, Raica Oliveira, Jhona Burjack e Vivi Orth. A programação segue até sexta-feira (18/9), com a participação de outras estrelas.

Realizado pelo Sol Nascente Associação Cultural, o Metrópoles Catwalk conta com o fomento da Secretaria de Turismo do DF.

Fila final do desfile da Victor Dzenk
Como chegar ao Metrópoles Catwalk

Serviço

Metrópoles Catwalk
Data: de 14 a 18 de setembro
Local: Arena Mané Garrincha, Brasília
Entrada: gratuita, retire seu ingresso clicando aqui
Acesso ao evento: portão L