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Burberry aposta no resgate de tradições em nova fase da grife
A Burberry tenta reverter sua crise recente retomando elementos históricos da marca, além de apostar em celebridades nas campanhas
atualizado
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A Burberry passa por uma importante reformulação interna após quedas bruscas nas vendas da grife, que resultaram na demissão 1.700 funcionários, em maio deste ano. Agora, a nova aposta da etiqueta é a volta às origens, contando com grandes celebridades para protagonizar suas campanhas publicitárias.
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Após anos de vendas em declínio e a saída do diretor criativo Christopher Bailey, a reformulação interna da Burberry já deu início a uma nova era. Em poucas semanas, a grife introduziu um novo logotipo (que recuperou o antigo cavaleiro da identidade visual) e um novo monograma. A mudança também foi vista nas redes sociais, nas quais a Burberry agora busca integrar sua história centenária com uma linguagem contemporânea.
Com a necessidade de estar “na boca do povo” para recuperar a popularidade da marca após o rebranding, a Burberry lançou produtos de edição limitada e os enviou a celebridades e influencers. Figuras públicas como a atriz britânica Lily James e Rihanna foram fotografadas usando as peças em público ou postaram selfies com os lançamentos exclusivos, levando a marca para um público que há muito não comentava sobre a etiqueta britânica.


Ao mesmo tempo, a história da grife fundada em 1856 também foi recuperada: temas como o hipismo, o militarismo e o espaço campestre britânico são explorados em campanhas publicitárias divulgadas ao longo dos últimos meses nas plataformas on-line. Elas são protagonizadas por personalidades como a ganhadora do Oscar Olivia Colman, as modelos Naomi Campbell e Rosie Huntington-Whiteley e o jogador de futebol Son Heung-min. A relevância dos nomes fazem jus à grandeza histórica da marca, que por dificuldades criativas viveu momentos negativos em anos recentes.
Esse movimento de recuperação da história acontece após um ano em que o mercado de moda como um todo passou por quedas marcantes, com a Hermès sendo uma das únicas exceções. Um dos diferenciais da Hermès durante todo esse tempo foi justamente o fortalecimento, e não o apagamento, de toda a herança histórica da marca em campanhas, mas principalmente nos ideais e nos designs.
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Recente queda da Burberry
A grife britânica revelou, em maio de 2025, que cortaria cerca de 1.700 postos de trabalho em todo o mundo. A decisão surgiu em um momento desafiador para a marca, que buscava reduzir custos após uma queda acentuada nos lucros. A empresa registou um prejuízo de 66 milhões de libras (quase R$ 500 milhões) no último ano fiscal, refletindo o amplo cenário de crise que vive a indústria global da moda.
As reduções afetaram quase um quinto da força de trabalho da Burberry, que atua em diferentes continentes e contava com, aproximadamente, 9.300 funcionários. Joshua Schulman, CEO da marca, indicou que a maior parte dos cortes ocorrerá nos escritórios centrais do grupo em todo o mundo, com destaque para Londres.

