
Ilca Maria EstevãoColunas

Baby doll volta ao centro da polêmica em clipe de Olivia Rodrigo
Olivia Rodrigo evoca estética de figuras clássicas do grunge e rock dos anos 1970 em visual de clipe, como Cherie Currie e Courtney Love
atualizado
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A relação entre rock e o baby doll é mais antiga do que se imagina, mas o público parece ter se esquecido disso. O clipe mais recente da cantora Olivia Rodrigo caiu no escrutínio público pela escolha fashion do modelo que marcou a estética grunge e foi popularizado por meio de figuras como Cherie Currie e Courtney Love, e de bandas como Siouxsie and the Banshees e New York Dolls.
Vem entender!

Baby doll polêmico
No clipe da canção Drop Dead, a cantora surge pelos corredores do Palácio de Versalhes vestindo um look que poderia ter saído diretamente de Maria Antonieta, de Sofia Coppola: um baby doll combinado a short de babados e meia 7/8.
A produção, assinada com peças da coleção pré-outono 2026 da Chloé e styling de Chloe e Chenelle Delgadillo, acompanha uma letra romântica que retrata o início de uma história de amor envolvendo stalkear um crush online e fantasiar um relacionamento possível.


A imagem levanta questionamentos: por que uma jovem adulta cantando sobre o amor em um cenário lúdico causa tanto desconforto? Parte da reação passa pela leitura de que a silhueta do baby doll remete a uma estética que sexualiza a infância, flertando com o imaginário “lolita”. No entanto, a trajetória da peça revela camadas mais complexas.


História do design
Criado nos anos 1940 como uma opção prática para dormir, o modelo foi incorporado ao guarda-roupa cotidiano na década de 1960 e, mais tarde, ressignificado por figuras do punk e do rock. Nomes como Courtney Love e Kim Gordon ajudaram a consolidar o baby doll no universo grunge, combinando sua feminilidade com uma atitude irreverente – uma mistura que dialoga diretamente com a sonoridade e o estilo de Rodrigo.

A própria cantora já havia sinalizado esse caminho estético. Em entrevista à British Vogue, revelou: “Meu Pinterest é todo de vestidos baby doll e decotes dos anos 70. Quero que tudo tenha uma vibe divertida e descontraída”.

Assim, o look se afasta de uma provocação calculada, mas acaba rapidamente colocado sob suspeita em um cenário em que qualquer referência à feminilidade juvenil é tratada como problema – e não as estruturas que sustentam e incentivam esse tipo de visão.

Assista ao clipe:

























