Alunas de 13 anos comprovam preços mais altos em produtos femininos

Em uma pesquisa escolar, estudantes de uma escola pública no RS constataram que os produtos direcionados para as mulheres são mais caros

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
Alunas do RS fazem pesquisa sobre a chamada "taxa rosa" - Metrópoles
1 de 1 Alunas do RS fazem pesquisa sobre a chamada "taxa rosa" - Metrópoles - Foto: Material cedido ao Metrópoles

Itens comercializados em farmácias e lojas de departamento, quando direcionados ao público feminino, podem custar mais caro. É o que reforçou a pesquisa de duas estudantes de 13 anos de uma escola pública de Caxias do Sul (RS). O estudo investigou a prática já conhecida como “taxa rosa” e confirmou que, em vários casos, o mesmo produto pode custar mais se for voltado para mulheres.

Vem saber mais detalhes!

Mulher pegando pacote rosa - Metrópoles
Produtos direcionados ao público feminino, muitas vezes, levam a cor rosa na embalagem ou no design

 

Preços maiores em produtos femininos

A pesquisa, realizada por Alexia Turela e Luiza da Silva Soares, alunas da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre João Schiavo, fazia parte de uma mostra científica da instituição de ensino. A iniciativa das garotas surgiu das noções de educação financeira ensinadas pela professora de matemática Daniela Bevilaqua, que orientou o estudo.

“Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elas ganham em média 75% daquilo que os homens ganham”, comenta Luiza, acrescentando que as mulheres pagam, em média, 12,3% mais em produtos iguais aos masculinos, apenas por serem rosa, conforme um dado de 2017 da ESPM. “Os produtos têm a mesma função e são mais caros. Além de os homens ganharem mais, eles pagam menos”, acrescenta Alexia.

Mulher verificando produto com embalagem cor de rosa - Metrópoles
E quando um produto, só pelo fato de ser rosa, custa mais caro? É quando ocorre a chamada “taxa rosa”

 

Mulher verificando produto com embalagem cor de rosa - Metrópoles
A taxa rosa foi tema de uma pesquisa de duas estudantes de 13 anos no RS, inspiradas pelas noções de educação financeira nas aulas de matemática

 

Pesquisa de campo

A análise foi feita ao longo de quatro meses em espaços físicos locais e sites de grandes redes, e cruzada com dados de fontes oficiais. Com ela, as alunas notaram diferenças de preço em categorias que vão de produtos de higiene pessoal, como desodorantes e lâminas de barbear, até eletrodomésticos. Em alguns casos, aqueles com funcionalidade e design idêntico podem custar quase o dobro só por serem cor-de-rosa.

Mulher com cesta de compras na mão entre prateleiras de mercado - Metrópoles
Em alguns casos, a pesquisa das alunas constatou que itens em rosa podem custar quase o dobro das versões em outras cores

 

Cosméticos em prateleira - Metrópoles
A taxa rosa afeta, por exemplo, itens de higiene pessoal

 

Lâmina depilatória rosa - Metrópoles
Entre eles, as lâminas depilatórias, funcionalmente iguais às outras cores, mas com preços maiores quando são cor-de-rosa

 

Para a professora Daniela, interpretar e ter um olhar crítico sobre os preços dos produtos ajuda, desde cedo, a analisar e investigar quando o valor cobrado é adequado ou abusivo. “Tudo isso é importante que seja feito, ainda na educação básica, para que adolescentes cheguem à idade adulta, tenham condições de se virar sozinhos e a gente crie uma geração menos endividada”, avalia.

Aproveite para assistir ao vídeo mais recente da Coluna Ilca Maria Estevão para o canal do Metrópoles no YouTube:

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