Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Igor Gadelha

Vorcaro apontou ministros de Lula favoráveis à venda do Master, diz PF

Conversa atribuída a Daniel Vorcaro menciona Rui Costa, Jaques Wagner e Alexandre Silveira como favoráveis à operação com o BRB

Reprodução
Foto colorida de tronco de homem pardo e com barba. Ele usa uma blusa branca e um blazer cinza - Metrópoles

O relatório da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner mostra um diálogo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na qual ele aponta quais aliados de Lula eram favoráveis a venda da institução financeira para o BRB.

O documento, a qual à coluna teve acesso, mostra uma conversa entre Vorcaro e um jornalista no dia 19 de agosto de 2025. Na ocasião, o repórter indagou Vorcaro sobre quais integrantes do governo seriam favoráveis à operação.

Vorcaro apontou ministros de Lula favoráveis à venda do Master, diz PF - destaque galeria
4 imagens
Ministro Rui Costa
Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Senador Jaques Wagner saiu da liderança do governo após suspeita de envolvimento com Vorcaro
1 de 4

Senador Jaques Wagner saiu da liderança do governo após suspeita de envolvimento com Vorcaro

LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Ministro Rui Costa
2 de 4

Ministro Rui Costa

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira
3 de 4

Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
4 de 4

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Reprodução

Vorcaro respondeu prontamente que os apoiadores seriam o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Segundo o relatório da PF, a resposta do ex-banqueiro mostra que ele enxergava Wagner como “aliado político em em operação de natureza essencialmente regulatória, sujeita a critérios técnicos do Banco Central”.

Entre no canal de WhatsApp da Coluna Igor Gadelha

“O alinhamento do parlamentar transcendia o mero acompanhamento legislativo e alcançava o plano das articulações políticas institucionais”, diz o trecho da investigação da Polícia Federal entregue ao ministro do STF André Mendonça.

Para a PF, a coincidência entre o apoio de Wagner à compra do Master e as cobranças de seu enteado, Eduardo Sodré Martins, a Augusto Ferreira Lima por pagamentos pendentes à BN Financeira, reforça a suspeita de que o apoio do senador e os repasses ao seu núcleo familiar “integravam circuito único de contrapartidas recíprocas”.

A investigação

Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho para apurar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.

Segundo os investigadores, o senador teria recebido uma série de benefícios indevidos ao longo dos últimos anos – entre os quais, uso frequente de aeronaves ligadas ao grupo do empresário Daniel Vorcaro, ingressos para shows e negociação de um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões.

A PF suspeita que o imóvel tenha sido adquirido pelo ex-sócio do Banco Master Augusto Lima, com a participação de intermediários ligados ao grupo investigado, para beneficiar o parlamentar. Os investigadores também apuram suposta atuação de Wagner em favor de interesses da instituição financeira no Congresso Nacional.

O senador nega irregularidades. Segundo sua versão, ele procurou Augusto Lima para comprar temporariamente o apartamento, com o compromisso de recomprá-lo posteriormente para sua filha.