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Igor Gadelha

Por que a bancada do PL votou a favor do projeto para retaliar Trump

Deputados do PL votaram a favor de projeto que permite Brasil retaliar Trump por tarifaço, apesar das críticas de Jair Bolsonaro à proposta

03/04/2025 07:00, atualizado 03/04/2025 14:23
Jabin Botsford /The Washington Post via Getty Images
Donald Trump

Apesar das críticas de Jair Bolsonaro, a bancada do PL na Câmara votou “sim” ao “PL da Reciprocidade“, que permite ao governo adotar medidas contra o “tarifaço” anunciado por Donald Trump.

Em conversas reservadas, bolsonaristas argumentam que, embora uma ala do PL concorde com o ex-presidente de que o melhor caminho seria a diplomacia, não havia como contrariar o agronegócio em um tema tão sensível.

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Advogados de Donald Trump contestaram atos de Moraes e Toffoli no STF
Presidente dos EUA, Donald Trump
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Apesar de terem votado “sim”, bolsonaristas dizem esperar que o projeto seja um “tiro pela culatra” para Lula. A aposta é de que a reciprocidade fará o governo brasileiro diminuir impostos de importação a produtos americanos.

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O PL, que está em obstrução em todas as votações na Câmara por causa do projeto da anistia, retirou a obstrução após o plenário atingir quórum suficiente para que o PL da Reciprocidade fosse votado na quarta-feira (2/4).

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Líder do PL diz que Bolsonaro autorizou

Líder do PL na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) afirmou à coluna na manhã de quinta-feira (3/4) que, mesmo contra a proposta, Bolsonaro autorizou a bancada a votar a favor do chamado “PL da Reciprocidade”.

Sóstenes disse que ligou para Bolsonaro, após o ex-presidente criticar o projeto nas redes sociais. Na conversa, o líder disse entender as razões das críticas do ex-mandatário, mas ponderou que a bancada queria votar a favor.

“Nós não o contrariamos. Ele autorizou”, disse o líder do PL.

Segundo Sóstenes, no momento da ligação, o senador Rogério Marinho (PL-RN) estava ao lado de Bolsonaro, também argumentando a favor do projeto. “Bolsonaro disse: ‘Já entendi, Sóstenes. Não tem problema, não’”, relatou.

Críticas

Na quarta, Bolsonaro, que é aliado de Trump, escreveu nas redes sociais que as sobretarifas do atual presidente dos Estados Unidos seriam apenas uma forma de proteger o país do “vírus socialista”.

“Uma eventual guerra comercial com os EUA não é uma estratégia inteligente e não preserva os interesses do povo brasileiro. A única resposta razoável à tarifação recíproca dos EUA é o governo Lula extinguir a mentalidade socialista que impõe grandes tarifas aos produtos americanos, inviabilizando o povo brasileiro de ter acesso a produtos de qualidade mais baratos”, afirmou Bolsonaro.

Filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro também criticou o projeto votado no Brasil. Autoexilado nos Estados Unidos, o deputado licenciado disse que votaria “contra” a proposta levada ao plenário na Câmara.

“Claro que seria mais confortável, para mim, aderir a narrativa do estadista imparcial que une direita e esquerda contra um inimigo externo, mas nem sempre o caminho mais suave é o melhor para os brasileiros”, disse Eduardo.