Igor Gadelha

Lula usa discurso em fórum no Panamá para mandar recados a Trump

Em discurso durante fórum econômico no Panamá, Lula mandou recados a Trump e apontou dificuldades da América Latina em reagir a intervenções

atualizado

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Cidade do Panamá — O presidente Lula aproveitou seu discurso no Fórum Econômico da América Latina e Caribe, realizado nesta quarta-feira (28/1) no Panamá, para mandar uma série de recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em sua fala no evento, Lula não citou diretamente nem Trump nem a situação da Venezuela, mas falou sobre a complexidade da região, considerando a proximidade com a “maior potência militar do mundo”, e defendeu uma integração maior entre os países.

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Lula chega ao Panamá para participar da "Davos da América Latina"
Lula com os demais chefes de Estado que participam do Fórum Econômico da América Latina e Caribe
Lula e José Antonio Kast, presidente eleito do Chile
Lula chega ao Panamá para participar da "Davos da América Latina"
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Ricardo Stuckert/PR
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Lula com os demais chefes de Estado que participam do Fórum Econômico da América Latina e Caribe
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Lula com os demais chefes de Estado que participam do Fórum Econômico da América Latina e Caribe

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Lula e José Antonio Kast, presidente eleito do Chile
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Lula e José Antonio Kast, presidente eleito do Chile

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Lula apontou problemas na Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que está paralisada. Segundo ele, diante dos conflitos “ideológicos”, o bloco não teria conseguido sequer emitir uma nota contra intervenções ilegais na região.

“A única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a Celac, está paralisada, apesar dos esforços do nosso querido presidente Petro. A Celac não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”, afirmou Lula.

O presidente brasileiro ainda defendeu a “neutralidade” do Canal do Panamá, uma das ambições de Trump. O americano só retirou a passagem marítima de seu radar por causa de um acordo com o presidente panamenho, José Mulino.

“A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso, o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”, afirmou o mandatário brasileiro.

O petista chegou a ser aplaudido ao falar sobre a necessidade de união da região. O mandatário ainda citou o ex-presidente americano Franklin D. Roosevelt e sua política da boa vizinhança como um exemplo das relações com os americanos.

“Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina sozinho achar que vai resolver problemas. Temos 525 anos de história. Já fomos colonizados, recolonizados. Independência. Precisamos mudar de comportamento. Precisamos criar um bloco econômico que possa dizer ajudar a acabar com a fome”, completou Lula.

Em outra indireta a Trump, que aplicou um tarifaço contra diversos países, o atual chefe do Palácio do Planalto afirmou que o Brasil respondeu “a práticas do protecionismo com diálogo, firmeza e apoio às nossas empresas”.

Lula defendeu que a reconquista da confiança na integração entre os países da América Lática e Caribe “é uma tarefa árdua, mas necessária”. Para ele, a região dispõe de credenciais excepcionais para aspirar a uma presença relevante no contexto mundial.

”Necessitamos de lideranças comprometidas com mecanismos institucionais que articulem, de forma equilibrada, os distintos interesses nacionais de nossa região. A integração regional pode e deve alimentar-se de princípios e do exame crítico de outras experiências históricas. Mas ela será resultado da nossa capacidade de conviver com a diversidade das vontades políticas. Essa é uma condição essencial para manter a América Latina e o Caribe como zona de paz e cooperação, regida pelo direito internacional”, declarou.

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