
Igor GadelhaColunas

Lula deixa G7 sem Trump e Zelensky e com apenas duas bilaterais
Em sua nona cúpula do G7, no Canadá, presidente Lula repetiu discursos de outros eventos e só teve duas reuniões bilaterais
atualizado
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Kananaskis, Canadá — O presidente Lula encerrou sua passagem relâmpago pela cúpula do G7 no Canadá com poucos resultados práticos do ponto de vista diplomático. Em suas 24 horas no país, o petista fez dois rápidos discursos, sem a presença de Donald Trump na plateia, e teve apenas duas reuniões bilaterais.
Lula desembarcou no Canadá na noite de segunda-feira (16/6), após um voo direto de 12 horas que partiu de Brasília. Do aeroporto, o chefe do Palácio do Planalto seguiu direto para o hotel onde ficou hospedado em Calgary, terceira cidade canadense mais populosa, localizada a cerca de 100 quilômetros do local da cúpula.
No mesmo hotel onde Lula estava hospedado, a governadora-geral do Canadá, Mary Simon, representante do Rei Charles III no país, oferecia um jantar, naquela noite, a líderes de países não membros do G7. Convidado, o presidente brasileiro preferiu subir direto para o quarto, sem ir ao evento.
Antes, porém, respondeu a poucas perguntas de jornalistas que o aguardavam na porta do hotel sobre a expectativa para a cúpula e sobre o conflito entre Israel e Irã. Em uma das respostas, Lula criticou justamente o G7, dizendo que o grupo não precisaria mais existir após o surgimento do G20.
Àquela altura, Lula já havia sido informado sobre a decisão de Donald Trump de ir embora mais cedo do G7, em razão da escalada da tensão entre Israel e Irã. O americano voltou para Washington D.C. ainda na noite de segunda, antes de cruzar com Lula nos eventos da cúpula, no dia seguinte.
As bilaterais de Lula
Na terça-feira (17/6), Lula seguiu de Calgary direto para o resort onde acontece a cúpula do G7. O hotel fica localizado em Kananaskis, na região das Montanhas Rochosas da província canadense de Alberta. Os cerca de 100 quilômetros que separam as duas cidades foram percorridos pelo petista de helicóptero.
No resort, Lula acabou tendo apenas duas das quatro reuniões bilaterais previstas: uma com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e outra com o recém-empossado presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. Os encontros com Ucrânia e Alemanha acabaram não acontecendo.
A conversa bilateral com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, foi cancelada a pedido do líder alemão. Já a reunião com Volodymyr Zelensky foi desmarcada, segundo o Palácio do Planalto, por problemas de “agenda” dos dois, após atrasos na programação do G7.
Lula teve ainda, conforme revelou a coluna, conversas rápidas e informais nos bastidores do G7 com outros três líderes de países não membros : 1) a presidente do México, Claudia Sheinbaum; 2) o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa; 3) o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
E os discursos de Lula?
Nas duas oportunidades em que pôde discursar no G7, Lula repetiu cobranças e promessas que já havia feito em outras ocasiões. Voltou a cobrar, por exemplo, que a ONU seja mais atuante e tenha mais protagonismo nas negociações pelo fim dos conflitos no Oriente Médio e na Europa.
O chefe do Planalto também reiterou as metas do Brasil na área ambiental e aproveitou a oportunidade para convidar os demais líderes presentes no G7 a participarem da COP30, a conferência do clima da ONU que acontecerá em novembro de 2025 em Belém (PA).
Sem mais compromissos, Lula deixou a cúpula do G7 no final da tarde de terça-feira, sem falar com a imprensa, e seguiu de carro para o aeroporto. Ao fim, a participação na cúpula serviu mesmo apenas para, como o próprio petista afirmou na véspera, “não dizerem” que ele recusa ir à “festa dos ricos”.











