
Judiciário leva crise para o debate da Globo ao tentar ajudar candidatos
Decisões que tentaram favorecer Lula e Flávio Bolsonaro dadas pelo TSE e STF levaram crise para o debate da Globo e esvaziam encontro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram levar a crise do Judiciário brasileiro diretamente para o debate da TV Globo, na quinta-feira (1º/10), com um duelo de decisões judiciais.
Faltando poucas horas para o início do confronto, ministros do TSE e do STF alinhados a Lula (PT) tomaram duas decisões que acabaram prejudicando a estratégia de Flávio Bolsonaro (PL), levando o senador a desistir do debate.
A primeira partiu da ministra do TSE Estela Aranha. Ex-secretária do Ministério da Justiça na gestão Flávio Dino e indicada por Lula à Corte Eleitoral, ela decidiu proibir a TV Globo de exibir o púlpito vazio destinado ao petista.
Lula, por estratégia, decidiu não comparecer ao debate. Pelas regras assinadas por todos os candidatos, não apenas o espaço destinado ao petista seria exibido, como também poderiam ser feitas perguntas a ele, mesmo ausente.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Igor GadelhaA ministra, contudo, decidiu que as regras assinadas previamente pela própria campanha de Lula não seriam válidas, sob o argumento de que seriam “coercitivas” e “configurariam cerceamento dos direitos políticos do candidato”.
A segunda decisão do Judiciário que afetou Flávio partiu do ministro Gilmar Mendes. O decano do STF autorizou o candidato do Missão, Renan Santos, a participar do debate, mesmo sem ter representatividade no Congresso.
Receba no seu email as notícias da coluna Igor Gadelha
Frequência de envio: Diário
Ver todasDos candidatos que aceitaram participar do debate, Renan é o único cuja atuação é independente do bolsonarismo. Sua estratégia permitiria partir para cima de Flávio e fazer o papel de oposição ao senador na ausência de Lula.
O resultado foi a desistência de Flávio Bolsonaro de participar do debate. O candidato alegou “interferência do Judiciário” em função da “censura” promovida pelo TSE, evitando citar a questão da presença de Renan Santos.
O ponto curioso fica por conta das decisões em linhas opostas. Enquanto a ministra do TSE considerou a ata com as regras inválida por ser coercitiva, Gilmar utilizou o mesmo documento para autorizar a participação de Renan.
Tiro para todo lado
O próprio Flávio, vale lembrar, também foi beneficiado por ministros aliados em decisões sobre o debate. Antes da decisão de Gilmar, o presidente do TSE, Nunes Marques, havia decidido que o candidato do Missão ficaria de fora.
Dessa forma, o debate seria composto praticamente por candidatos de direita que deverão estar ao lado de Flávio no segundo turno. A exceção seria Augusto Cury (Avante), que não é especialmente hostil ao bolsonarismo.









