Governo Lula não vê risco de Trump atacar urnas na eleição brasileira
Integrantes do governo Lula avaliam que o presidente dos EUA, Donald Trump, não deve atacar urnas porque população confia no sistema
atualizado
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Auxiliares do presidente Lula avaliam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve aceitar o resultado das eleições brasileiras em outubro sem questionamentos às urnas eletrônicas.
A confiaça do Planalto é que Trump não entrará no assunto por falta de mobilização popular. O entendimento é que a maioria dos brasileiros considera o sistema confiável e isso enfraqueceria o argumento do governo americano.
Outro aspecto apontado pelos auxiliares de Lula é que a soberania ainda é um valor importante para a maior parte da população brasileira. E que os americanos sabem que questionamentos as urnas podem fortalecer o petista.
Nas palavras de um integrante do governo brasileiro, quando a soberania é atacada de forma explícita, há uma reação negativa nos setores que defendem esse princípio. No caso de Trump, isso atingiria a direita brasileira.
Os exemplos mais recentes que corroboram a tese dos interlocutores de Lula foram o tarifaço e a bandeira americana estendida por bolsonaristas na Avenida Paulista, em São Paulo, no 7 de setembro de 2025. O gesto repercutiu mal e foi usado por políticos de esquerda para criticar a direita.
O PT ainda vai usar a defesa da soberania na campanha de reeleição de Lula. O tema já aparece em discursos do presidente em relação ao Pix, às terras raras e aos minerais críticos.
Governo em alerta
Auxiliares de Lula admitem que o Brasil mantém o sinal de alerta com os Estados Unidos para uma possível interferência na eleição brasileira, mesmo com a melhora das relações entre Lula e Trump.
A preocupação com o governo americano é rescaldo da tentativa de interferência no sistema político brasileiro com a imposição do tarifaço e a Lei Magnitsky no segundo semestre de 2025.
A resolução do episódio aproximou os dois líderes, que construíram uma relação cordial, na descrição feita pelo Palácio do Planalto. Entretanto, interlocutores de Lula ponderam que o governo brasileiro não pode ser “ingênuo” com os Estados Unidos e deve ficar atento aos movimentos dos americanos.
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pediu o monitoramento do pleito no Brasil no CPAC, uma conferência conservadora que aconteceu em março, na cidade de Dallas, no Texas.
Auxiliares de Lula afirmam que a eleição da Hungria neste domingo (12/4) será a primeira lição de casa do Planalto para avaliar uma possível influência do governo americano no pleito brasileiro.
Trump é um apoiador do candidato da ultradireita, o primeiro-ministro Viktor Orbán, que pode perder a disputa para Péter Magyar, líder do partido Tisza, de oposição ao atual regime.
O governo americano mobilizou o alto escalão para apoiar Orbán. O vice-presidente americano, J. D. Vance, foi ao país nesta semana para transmitir o apoio de Trump. Já o secretário de Estado americano, Marco Rubio, esteve na Hungria para fazer campanha para o primeiro-ministro.








