Igor Gadelha

Estratégia do governo na reforma do IR atrapalhou MP, diz Centrão

Incomodados com postura do governo na votação da reforma do IR, caciques do Centrão atuaram para derrotar Planalto na MP alternativa ao IOF

atualizado

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1 de 1 camara-pl-anistia - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Além da disputa eleitoral de 2026, caciques do Centrão na Câmara avaliam que a estratégia adotada pelo governo Lula na reforma do Imposto de Renda (IR) contribuiu para a derrota na MP alternativa ao IOF.

A medida provisória, que aumentava tributos e previa impulsionar a arrecadação do governo em pleno ano eleitoral, perdeu a validade na noite da quarta-feira (8/10) sem ser votada, após a Câmara retirar a proposta de pauta.

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Para caciques do Centrão, o governo errou na reforma do IR ao ignorar apelo de líderes e articular com o relator da matéria, Arthur Lira (PP-AL), para que nenhum destaque fosse votado, sobretudo os que tratavam das compensações.

Segundo essas lideranças do bloco, boa parte dos destaques, incluindo o que obrigaria o governo federal a corrigir anualmente a tabela do Imposto de Renda com base no IPCA, seria aprovada, caso tivesse ido a voto.

Sem a votação desses pontos, o governo irritou deputados, mas saiu duplamente vitorioso. Primeiro, no campo político, com a aprovação do aumento da faixa de isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

Depois, no campo fiscal. Ao evitar o reajuste da tabela do Imposto de Renda e impedir mudanças nas compensações planejadas, o governo mantém o ganho inflacionário sobre a arrecadação que acumula há cerca de 10 anos.

Insatisfeitos com a postura do governo na reforma do IR, lideranças do Centrão atuaram para que o governo não tivesse novo ganho arrecadatório com a MP, que poderia render R$ 17 bilhões em 2026.

“O governo não teria duas vitórias arrecadatórias seguidas”, resumiu à coluna, sob reserva, um influente deputado do União Brasil.

A MP trazia uma série de alternativas ao reajuste do IOF, com propostas arrecadatórias que previam a taxação de bets, aplicações financeiras e letras de crédito do Agronegócio (LCA) e Imobiliária (LCI).

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