Autor de ato que trava votação, Sarney defende reindicação de Messias
À coluna, ex-presidente José Sarney afirmou que o presidente Lula "acertou" ao insistir com indicação do ministro Jorge Messias ao STF

O ex-presidente e ex-senador José Sarney (MDB) avaliou à coluna que o presidente Lula “acertou” ao decidir reindicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF, mesmo após o Senado rejeitar a primeira indicação.
“O presidente Lula tomou um ato bastante acertado, fazendo a reindicação do Messias. É um reconhecimento das virtudes intelectuais, jurídicas e morais do ministro Messias, cujo valor é reconhecido por todos nós. Muito lamentamos a primeira decisão do Senado, mas agora ela será corrigida“, disse Sarney à coluna.
A fala de Sarney tem um peso. Além de ex-presidente, ele é o responsável pelo ato da Mesa Diretora do Senado de 2010 que veda a apreciação, no mesmo ano, de indicação de autoridade rejeitada pela Casa.
À época, Sarney era o presidente do Senado. Caso o ato não seja revogado pelo atual comando da Casa, a oposição promete usá-lo para tentar impedir uma nova indicação do nome de Messias por Lula.
Messias aposta em precedente
Aliados do chefe da AGU, contudo, apostam em um precedente envolvendo o ministro do STF Alexandre de Moraes para tentar viabilizar a votação de uma nova indicação de Messias ao STF ainda em 2026.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Igor GadelhaEm 2005, antes, portanto, do ato assinado por Sarney em 2010, o atual ministro do Supremo teve sua indicação para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) rejeitada inicialmente pelo Senado.
Na ocasião, Moraes teve 39 votos, menos que os 41 mínimos necessários. Dias depois, aliados pediram para anular a sessão. O argumento foi de que houve problemas regimentais e confusão no plenário durante a votação.
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Ver todasCom isso, o Senado realizou nova deliberação e aprovou o nome de Moraes no CNJ. À época, a Casa era presidida pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). A nova votação foi marcada por protestos de senadores de esquerda.
O episódio é tratado por aliados de Messias como uma possível brecha para viabilizar a nova indicação dele. A leitura é de que o precedente de Moraes demonstra que o Senado já flexibilizou entendimentos em situações excepcionais.
A rejeição de Messias
Sarney foi um dos caciques políticos que publicamente apoiaram a indicação de Messias ao STF. Antes da sabatina, o ex-presidente classificou Messias como “uma das maiores inteligências jurídicas” do Brasil.
O indicado de Lula para a vaga de Luís Roberto Barroso no STF foi sabatinado em 29 de abril. Ele chegou a ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas não obteve os 41 votos necessários no plenário.
Messias teve a oposição do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o cargo. Lula, entretanto, não acatou a sugestão.










