Igor Gadelha

Análise: para Lula e Motta, pode ser melhor prolongar votação da 6×1

Arrastar votação da PEC que acaba com escala 6×1 para depois das eleições pode trazer dividendos políticos tanto para Lula quanto para Motta

atualizado

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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
1 de 1 O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou na segunda-feira (9/2) ter enviado a PEC do fim da escala 6×1, principal bandeira de Lula em 2026, para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Embora o deputado tenha iniciado a tramitação da proposta na Câmara, não será ruim nem para Motta, nem para Lula, em termos políticos, caso a votação da proposta acabe se arrastando para depois do período eleitoral.

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Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta
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Lula e Motta na abertura do Ano Judiciário do STF
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Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta

Ricardo Stuckert / PR

Caso não seja aprovada até o primeiro semestre, a PEC poderá servir como bandeira de Lula na campanha, com o petista prometendo dobrar e redobrar o esforço para que a proposta seja aprovada após sacramentar sua reeleição.

Se for aprovada antes do período eleitoral, a PEC entraria no pacote de entregas de Lula em seu terceiro mandato, perdendo o potencial de mexer com o imaginário do eleitorado para o futuro eleitoral do governo.

Vantagem para Motta

Para Motta, também não seria ruim prolongar a tramitação da proposta. Foi, inclusive, uma escolha do atual presidente da Câmara analisar o tema via PEC, cuja tramitação é mais longa do que um projeto de lei.

Nas últimas semanas, petistas levantaram a possibilidade de o governo enviar para a Câmara uma mudança na jornada de trabalho por meio de um projeto de lei com urgência, o que forçaria votação direta no plenário.

Com o assunto analisado por meio de uma PEC, a proposta terá de ser votada primeiro na CCJ, que sequer foi instalada até agora. Depois, passará por comissão especial, com prazo de 40 sessões ordinárias da Casa.

Caso a PEC não seja votada até as eleições, Motta terá uma carta na manga para negociar com o presidente eleito, possivelmente em busca de apoio que garanta sua reeleição no comando da Câmara, em fevereiro de 2027.

Na hipótese de vitória de Lula, Motta terá a aprovação da PEC como bandeira para reiniciar uma relação positiva. Já caso Flávio Bolsonaro (PL) vença, poderá rediscutir os termos da proposta com o presidente eleito.

Entretanto, lideranças aliados do presidente da Câmara apontam que o deputado paraibano precisa de uma marca própria para seu mandato na Casa. E que a PEC 6×1, que não passa por sanção presidencial, pode ser essa bandeira.

Dessa forma, também seria proveitoso para Motta aprovar a proposta antes das eleições, para levar o projeto como uma bandeira própria. O presidente da Câmara chegou a ser vaiado no último fim de semana, durante o pré-carnaval em João Pessoa.

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