Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Paulo Cappelli

Voto de Kassio Nunes indigna ministros do STF: “repetiu Riocentro”

Ministros do STF estão desde ontem entre impressionados e indignados com o voto de Kassio Nunes Marques

atualizado 21/04/2022 12:32

Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal - Metrópoles. Kassio Nunes Marques, nascido em 1972, é doutor em direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha, advogado, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí e ex-desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Natural de Teresina, no Piauí, foi indicado, em 2020, ao STF pelo atual presidente Jair Messias BolsonaroIgo Estrela/Metrópoles

Ministros do STF estão desde ontem entre impressionados e indignados com o voto de Kassio Nunes Marques, que foi o único a votar pela absolvição de Daniel Silveira, condenado a mais de 8 anos de prisão.

Os ministros esperavam que Nunes Marques de alguma maneira votasse a favor de Silveira, mas a aposta era que fosse algo mais próximo do que fez André Mendonça, que votou pela condenação do deputado, mas tentou abrandar a pena.

“De tão estapafúrdio, o voto dele, que quis fazer parecer que ofensas incitando a violência contra os ministros, repetou o Riocentro e pareceu o coronel Job Lorena”, comparou um ministro, referindo-se ao chefe da 5ª Seção do I Exército, que, em 1981, no atentado do Riocentro, leu uma nota dizendo que os militares que planejaram o ataque teriam sido vítimas de um ataque terrorista.

Ministros também se disseram impressionados pela disposição de Nunes Marques em agradar o governo, passando por cima até do que supostamente eram suas convicções.

O ministro pediu no ano passado que o professor Conrado Hubner Mendes fosse investigado por críticas feitas a ele numa coluna no jornal Folha de S.Paulo. Na visão do ministro, Hubner Mendes teria cometido os crimes de calúnia, difamação e injúria. Ontem ele inocentou Daniel Silveira.

Hubner Mendes criticara a decisão liminar do ministro de liberar cultos e missas presenciais na Páscoa, quando prefeitos e governadores haviam adotado medidas restritivas para tentar conter o avanço da Covid-19 no país.

“O episódio não se resume a juiz mal-intencionado e chicaneiro que, num gesto calculado para consumar efeitos irreversíveis, driblou o plenário e encomendou milhares de mortes”, escreveu.

Já Silveira, em cujo comportamento Nunes Marques viu apenas uma inocente brincadeira, disse, sobre Edson Fachin:

“O que acontece, Fachin, é que todo mundo está cansado dessa sua cara de PALAVRÃO que tu tem, essa cara de vagabundo… várias e várias vezes já te imaginei levando uma surra, quantas vezes eu imaginei você e todos os integrantes dessa corte… quantas vezes eu imaginei você na rua levando uma surra… Que que você vai falar? que eu to fomentando a violência? Não… eu só imaginei… ainda que eu premeditasse, não seria crime, você sabe que não seria crime… você é um jurista pífio, mas sabe que esse mínimo é previsível…. então qualquer cidadão que conjecturar uma surra bem dada com um gato morto até ele miar, de preferência após cada refeição, não é crime”.

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